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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Os 5 tipos de homem que encontrei paquerando online como mulher transgênero

No artigo de hoje a Suzanna Alastair, uma mulher transgênero, elencou os principais perfis de homens que ela pôde conhecer enquanto paquerava online ao longo de 2 anos. Apesar de não ser do meu interesse, tive a oportunidade de conhecer diversos desses perfis de homens na internet e achei bem coerente as observações dela. Aliás, eu já escrevi o post T-Lovers, será amor ou ódio? comentando um pouco dessa minha experiência pessoal conhecendo homens online.

Traduzido de Suzanna Alastair

Estou casada há 17 anos com uma mulher maravilhosa, durante os quais fomos estritamente monogâmicos por 14 anos. No início de 2019, minha esposa e eu estávamos casualmente discutindo sobre poliamor quando minha esposa me surpreendeu dizendo que ela achava que ficaria bem comigo, às vezes, namorando outras pessoas. Nisso, ela quis dizer que ficaria bem comigo namorando homens. Seu raciocínio era que um homem poderia me dar algo que ela não poderia.

Deixando de lado a falsa noção de que uma mulher deve ter um homem para ser feliz, ela tinha razão. Um homem poderia me dar algo além do que apenas um pau duro.

Para mim, como uma mulher transgênero, ter um homem heterossexual me vendo e me aceitando como uma mulher completa e me namorando como se fosse qualquer outra mulher cis seria o meu Santo Graal. O problema é que os homens heterossexuais muitas vezes me veem como: um homem, um fetiche, uma experiência a ser vivida, uma maneira de realizar seus desejos homossexuais de forma segura ou qualquer combinação disso.

Ter um homem que me aceite e me ame como a mulher que eu sou, sem quaisquer reservas ou obstáculos, e que me ame como faria com qualquer outra mulher, é algo que minha esposa não pode me dar.

Aqui está o dilema. Encontrar tal homem não é tão simples quanto ter esperança ou fantasia. Eu não sou uma mulher típica. Além disso, sou transgênero, mas não sou submissa. Eu sou uma mulher forte. Nas práticas fetichistas sou uma dominadora, isso significa que quem está no controle sou eu. Os homens normalmente não gostam quando uma mulher tira o controle deles. Bom, homens submissos sim. Mas, eu não quero um homem submisso. Eu quero um homem que sabe que é um homem, mas que também seja um cavalheiro.

Portanto eu passei dois anos paquerando online usando sites como Badoo, okcupid e um site finlandês chamado Alastonsuomi, e a maioria dos homens que me abordaram se enquadram nesses cinco perfis:


1. Opa! Eu cometi um erro!
Esse tipo de homem raramente lê o meu perfil que diz claramente logo na primeira frase que eu sou uma mulher transgênero. Eles me veem como uma mulher (que eu sou), mas presumem que sou uma mulher cis. Então eles começam a dança do acasalamento comigo fingindo serem todos doces e tal.

Um exemplo disso foi um homem que me escreveu no okcupid. Ele era um homem branco e careca do Texas, cujo perfil afirmava que ele era um cristão devoto e apoiador do Trump. Ele não é alguém que eu esperaria que tivesse interesse em uma mulher transgênero. Ele se aproximou de mim com educação e começou a fazer perguntas sobre coisas que eu já havia abordado no meu perfil. Sabendo que ele não tinha lido o que eu escrevi, perguntei se ele leu no meu perfil que eu sou uma mulher transgênero. Ele admitiu que não leu e pareceu meio confuso por ter se sentido atraído por uma mulher trans. A vergonha e o constrangimento fluíram de seu pedido de desculpas. Eu quase podia imaginá-lo com o rosto vermelho enquanto escrevia o pedido de desculpas.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Meu primeiro passeio como mulher

Traduzido de The Weimar Project

O dia foi inesquecível para mim, a primeira vez que caminhei na rua como uma mulher. Há muito tempo eu desejava isso, mas vivenciava apenas nos meus sonhos secretos. Eu tinha encontrado uma boa amiga a quem pude revelar o que havia adormecido dentro de mim como um segredo cuidadosamente guardado desde a infância. E, com uma amorosa compreensão, ela ficou feliz em me ajudar a realizar os meus desejos mais íntimos.

Não foi preciso muita preparação, já que eu estava acostumada a usar roupas femininas elegantes por baixo das roupas de homem, além de que, sempre que surgia uma oportunidade, eu trocava a máscara masculina forçada pelo meu rosto verdadeiro, de mulher, e eu estava acostumada a vestir roupas femininas e joias em casa. Fora que, minha figura com quadris acentuados, a cintura fina, a linha delicada das costas, os ombros estreitos e inclinados e o busto feminino, combinava mais com roupas femininas do que com um terno.

Eu precisava de algumas aulas particulares de uma mulher experiente para completar a imagem externa de uma dama em roupas de passeio. O chapéu lançava sombras suaves sobre o rosto velado, que tinha apenas um leve toque de pó, um pouco de delineador quase imperceptível e um traço de blush. O cabelo loiro discreto, que se misturava ao meu cabelo encaracolado na testa, fluía em ondas pesadas sobre as orelhas adornadas com pérolas finas e se mantinha amarrado em um coque cheio na nuca. A blusa de gola alta foi decorada com um fecho delicado. O vestido escuro de alfaiataria caía maravilhosamente bem, do qual a mão, meio envolta em renda, parecia estreita e pequena na luva branca. O guarda-chuva descansou em meu braço como um bom amigo. Um perfume discreto e o tilintar suave das pulseiras completavam o quadro, que era de elegância discreta. Senti tudo isso ao passar pelas crianças brincando na escada da elegante casa onde acabara de ocorrer a transformação.

Uma última hesitação tomou conta de mim quando cruzei a soleira da casa, mas a segurança da minha amiga a afastou. Naturalmente, caminhamos pelas ruas noturnas com suas luzes coloridas. Oh, como fiquei feliz! Quanto alívio eu senti! Como o ritmo do caminhar feminino voou pelos meus membros! Tudo era ternura, delicadeza e alegria. Foi uma bênção, pela primeira vez, livrar-me da máscara e apresentar meu verdadeiro eu diante de olhos humanos.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Porquê o autêntico Cristianismo deveria apoiar a comunidade LGBT

Apesar de eu ser um ateu/agnóstico convicto, acho interessante conhecer um pouco do que cada religião tem para nos ensinar, independente da origem dela. E, com esse olhar externo, sempre achei estranho o moralismo defendido pela Igreja Católica quando comparado com os ensinamentos de Jesus de Nazaré, supostamente a essência da fé cristã. O texto a seguir é de um rapaz cristão e homossexual que sentiu isso na pele e, apesar de tudo, nunca perdeu a fé.

Traduzido de Andrew Springer

O amor radical e a inclusividade que Jesus Cristo pregou é o mesmo amor que reuni a comunidade LGBT.

Quando eu estava crescendo na Virgínia Ocidental (EUA), quase todos os “cristãos” em minha vida me disseram que ser gay era pecado. Então eles me disseram que ser gay não era pecado, que agir como gay era pecado. Seja gay, mas não seja gay. Namore garotas, case-se com uma mulher ou passe a eternidade no Inferno.

E quando tudo isso não se concretizou, meu melhor amigo, que era como um irmão para mim, me excluiu completamente da vida dele. Ele comparou ser meu amigo, alguém que “viveu voluntariamente o pecado”, a levar um alcoólatra a um bar. Ele já não fala comigo há onze anos.

Eu não posso te dizer o quanto isso me doeu, ou quanta distância colocou entre mim e Deus. Eu parei de ir à igreja. Eu parei de orar. Minha fé se ausentou. Mas, desde então, está lentamente retornando. Porque eu sei agora que ser cristão e ser LGBT são essencialmente a mesma coisa, não importa o que os fundamentalistas digam.

Aceitei há um tempo que, no fim das contas, os fundamentalistas vão me odiar de qualquer maneira. Eu sei que eles rejeitam a mensagem central de Jesus Cristo. É uma mensagem tão simples que pode ser resumida em uma única palavra: Amor.

quarta-feira, 3 de março de 2021

"Sexy, Sexy Drag Queen": Drag como Libertação, Drag como Fetiche, Drag como Vergonha

O texto a seguir é uma tradução do artigo do Joe Corr em que ele comenta como foi a experiência de sair pela primeira vez montado de drag e ser abordado sexualmente, isso o fez questionar sobre a imagem que ele passava de si mesmo ao se produzir.

Em diversos pontos do texto ele faz questionamentos sobre o Drag Queen que caberiam muito bem no crossdressing. Seria o crossdresing uma identidade sexual? Quando você se monta você se percebe como objeto de desejo? Já notou como a feminilidade costuma ser associada ao sensualismo? Confira isso e muito mais a seguir.

Traduzido de Joe Corr

Aos 17 anos, fui sexualmente abordado por um homem pela primeira vez na minha vida. Para complicar as coisas, foi no mesmo dia em que saí de casa pela primeira vez de Drag. Desde então, tenho lutado com os emaranhados confusos de gênero, sexo, fetichismo e vergonha que vêm de brinde por eu ser uma pessoa queer libertada e, ao mesmo tempo, um objeto de fetiche. Aqui, tento deixar de lado algumas dessas preocupações de uma vez por todas.

A Parada LGBT de Brighton de 2014 foi um dia de estreias para mim, marcando duas ocasiões históricas em minha própria linha do tempo. Foi nesse dia que saí de drag pela primeira vez. Depois de passar tanto tempo reunindo coragem para finalmente tomar a iniciativa, eu ainda me surpreendo com o conjunto que escolhi para minha primeira excursão. Minha referência drag é bagunçada, suja e áspera – estilo: Divine, Tranimals, Leigh Bowery e Christeene. Inspirando-me no lendário terrorista drag Fade-Dra Phey, eu montei um conjunto que poderia ser descrito como "Viagem ácida da dona de casa suburbana misturada com Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica". Com pouca maquiagem, puxei uma meia-calça pela cabeça, com buracos feitos para revelar apenas um olho e meus lábios, que estavam manchados com sombra e batom em duas ou três pinceladas fortes. Usei a peruca loira mais horrível que encontrei (vestida de lado), um vestido floral de poliéster cortado curto e esfarrapado para que toda a minha bunda ficasse exposta e luvas de limpeza amarela com unhas de acrílico (para o toque necessário de glamour). Eu era uma visão, um terrível pesadelo de fluxo de consciência – e eu adorei. Mas a reação que obtive foi algo para o qual eu não estava preparado. Na verdade, fiquei tão impressionado com a quantidade de atenção (que variava de êxtase a irritação) que acabei pegando o ônibus para casa às 3 horas da tarde, com sapatos de salto alto nas mãos, soluçando baixinho por pura sobrecarga sensorial. Foi um exercício de construção de caráter, com certeza, mas que ajudou na minha formação.

Uma das inspirações do autor: Austin Young - The Tranimal Workshop

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

7 frases poderosas que vão mudar a sua visão sobre gênero

Sendo alguém que foge do padrão binário de gênero eu acho muito interessante ver pessoas influentes abordando essa temática publicamente, isso nos ajudar a sentir que todos os seres humanos são igualmente importantes. A seleção de citações a seguir trás pessoas admiráveis falando sobre a importância da diversidade e da igualdade de gênero.

Adaptado de Zada Kent

1. “Tanto homens quanto mulheres devem se sentir livres para serem sensíveis. Tanto homens quanto mulheres devem se sentir livres para serem fortes. ” - Emma Watson

Sempre admirei a Emma Watson principalmente pela elegância dela, inclusive já escrevi esse artigo falando sobre o estilo dela, mas fico mais feliz em saber que ela não é apenas um rostinho bonito. Frequentemente ela expressa opiniões fortes sobre igualdade de gênero, tanto que foi convidada a ser embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres.

A frase citada por ela deixa claro que é importante parar de insistir que pessoas sigam papéis de gênero desatualizados e de estilo colonial. Os seres humanos são indivíduos com necessidades, vontades, desejos, características e expressões individuais.

Ser masculino não é exclusividade dos homens. Ser feminino não é exclusividade das mulheres. Atualmente há muita pesquisa científica e dados que confrontam o binarismo de gênero. Está evidente que existe muito mais além da ideia arcaica de papéis para macho e para fêmea.

2. “Garotas não são máquinas nas quais você coloca
moedas de bondade até que saia sexo.” - Sylvia Plath 

A Sylvia Plath foi uma escritora americana que viveu entre 1932 e 1963 e era uma defensora apaixonada da igualdade de gênero. Nesse período, enquanto boa parte dos homens estavam se matando na guerra, as mulheres tiveram de assumir o controle da maioria das funções sociais que antes estavam exclusivamente nas mãos de homens. Deste modo, seus textos inspiraram diversas mulheres que participaram ativamente da revolução feminista da década de 60.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Transgênero, crossdresser, travesti, drag queen, qual é a diferença?

Cada pessoa é um ser único, mas que tem características comuns a toda a humanidade. Nos identificamos com alguns e nos diferenciamos de outros por construções sociais, por exemplo: a região em que nascemos ou que crescemos, classe social, se temos ou não uma religião, idade, nossas habilidades físicas, entre outras que marcam a diversidade humana.

De fato existe uma similaridade entre as pessoas que utilizam esses termos do título do post, mas para tentar compreender as peculiaridades de cada caso eu vou utilizar o gráfico de Identidade de gênero, Expressão de gênero, Sexo biológico e Orientação sexual que eu apresentei no post Identidade de gênero e Orientação sexual - O que é você?.
Para lembrar, segue um resuminho:
- Identidade de gênero: o modo como o indivíduo se sente/se identifica;
- Expressão de gênero: o modo como a pessoa se expressa/se apresenta;
- Sexo biológico: a nossa marca genética, o XX ou XY do DNA (ou outros);
- Orientação sexual: por quem a pessoa sente atração afetiva/sexual.

Segue alguns exemplos, vale salientar que nada disso é regra. Aliás, vou focar principalmente em pessoas que nasceram com o sexo biológico XY porque é o meu caso e tenho mais proximidade, mas vale o mesmo para o sexo biológico XX.

Homem Cisgênero
Identidade de gênero: masculina
Expressão de gênero: masculina
Sexo biológico: XY - macho
Orientação sexual: Indiferente
Pessoas cisgênero são a maioria na nossa sociedade, são as que tem alinhado a identidade de gênero e expressão de gênero com o seu sexo biológico.

A orientação sexual é indiferente. Pode ser que um homem cis homossexual tenha uma expressão de gênero puxada para o feminino, mas pode ser que a sua expressão seja super masculinizada. Também pode ter um homem cis heterossexual que tenha uma expressão um pouco feminina, então nada é regra.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Impressões de um crossdresser em balada hétero

Desde que comecei a sair do armário (ou desde que comecei a tirar as minhas roupas de dentro do armário, ainda não sei o certo) eu só fui em balada LGBT. Salvo um ou outro barzinho de Rock n Roll em que fui de homem, todos os meus rolês foram em espaços alternativos. Aproveito para fazer uma menção à minha primeira balada montada em 2016 que fiz esse post relatando a experiência e a festa de Halloween do mesmo ano que saí com a minha irmã.
Ariel, Samantha e Izabelly
Nesses passeios eu pude entender um pouco as minhas amigas mulheres que sempre falaram: "eu saio apenas para dançar". De fato usar uma roupa que te agrada, ir para um ambiente focado em música com gente descolada e deixar o corpo entrar em sintonia com a frequência da batida é uma experiência incrível! Tanto que eu nem lembro a última vez que fui numa balada de homem (ficou sem graça).

No entanto, na minha última viagem à São Paulo eu tive uma experiência um pouco diferente. Ao invés de ir em uma balada LGBT eu fui, acompanhada das amigas Izabelly Saints e Ariel Villela, em uma balada hétero chamada LimeLight. O espaço é incrível, conta com a iluminação mais sensacional que eu pude presenciar e a qualidade de som fantástica, porém é dedicado a um publico que já passou dos 40 anos e, no geral, é heterossexual. Eu também sou hétero, mas estava um pouco deslocada, né? Vou descrever nesse post como foi a experiência!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Identidade de gênero e Orientação sexual - O que é você?

Essa pergunta normalmente me dá arrepios. Em primeiro lugar, sou um ser humano. Segundo, existem tantas coisas que me definem que nem sei por onde começar.

Sei que a Samantha por si só instiga curiosidade pois foge do normal, porém fico incomodada quando surgem suposições errôneas sobre mim, principalmente se tratando das relacionadas com a minha identidade de gênero ou orientação sexual. Muitas vezes, essas suposições partem de pessoas do meio LGBT, que, por sinal, é uma sigla que também gera confusão.

(L)ésbicas, (G)ays, (B)issexuais são denominações relacionadas a orientação sexual enquanto (T)ravestis, Transexuais, Transgêneros estão relacionadas a identidade de gênero. Em outros locais já incorporaram os (Q)ueers que é um termo para designar pessoas que não seguem o padrão da heterossexualidade ou do binarismo de gênero. Deste modo o acrônimo LGBT ou LGBTQ se destina a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de gênero.