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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Por que de azul para meninos e rosa para meninas?

Cada geração traz uma nova definição de masculinidade e feminilidade e isso acaba se manifestando nas roupas infantis. Esse negócio de azul para meninos e rosa para meninas é algo relativamente recente pois o costume surgiu apenas no meio do século passado, fora que no caminho ainda teve um empurrãozinho da indústria da moda para incentivar os pais a gastar mais dinheiro com as roupas dos filhos. 

Adaptado de Smithsonian Magazine

O pequeno Franklin Delano Roosevelt, 32º presidente dos Estados Unidos, se apresenta na foto sentado recatadamente em um banquinho, com uma saia branca espalhada suavemente sobre o seu colo e com as mãos segurando um chapéu enfeitado com uma pena de marabu. Cabelo na altura dos ombros e sapatos de festa de couro envernizado completam o conjunto.

As pessoas costumam achar essa aparência meio inquietante hoje para um menino, porém a convenção social de 1884, quando Roosevelt foi fotografado aos 2 anos e meio, ditava que os meninos e as meninas deveriam usar vestidos até os 6 ou 7 anos de idade. Também era nessa idade que costumava ocorrer o primeiro corte de cabelo da criança. A roupa do Franklin era considerada neutra em termos de gênero.

Assim como os outros meninos da sua época, Franklin Roosevelt aparece trajando um vestido na foto.
Este retrato de estúdio provavelmente foi tirado em Nova York em 1884.

Hoje em dia as pessoas tem a necessidade de saber o sexo de um bebê ou de uma criança pequena logo à primeira vista, diz Jo B. Paoletti, historiadora da Universidade de Maryland e autora do livro Pink and Blue: Telling the Boys From the Girls in America (Rosa e azul: separando os meninos das meninas na América, 2012, sem versão em português). Assim, vemos, por exemplo, uma faixa rosa envolvendo a cabeça calva de uma menina.

Por que o estilo de roupa das crianças mudou tão drasticamente?
Como terminamos com duas “equipes”, meninos de azul e meninas de rosa?

“É, na verdade, a história do que aconteceu com as roupas neutras”, diz Paoletti, que explorou o significado das roupas infantis por 30 anos. Por séculos, diz ela, as crianças usaram vestidos brancos delicados até os 6 anos de idade. “O que antes era uma questão de praticidade – você veste seu bebê com vestidos e fraldas brancos; algodão branco pode ser branqueado – tornou-se uma questão de ‘Meu Deus, se eu vestir meu bebê da maneira errada ele vai se tornar um pervertido’ ”, diz Paoletti.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Dicas de como dar apoio ao seu filho transgênero ou não-binário

Quando eu era criança a questão do gênero era bem simples, a grosso modo se você tivesse um pênis você teria que aprender a se tornar um homem forte e provedor e se tivesse uma vagina você teria que aprender a ser uma mulher delicada e obediente. Assim todo mundo estaria pronto na vida adulta para começar uma nova família bonitinha, digna daquelas séries de TV com o homem ralando para pagar as contas enquanto a mulher cuidava da casa e dos filhos e dela mesma (bela, recatada e do lar que fala, né?). Tudo bem que não importava a sua vontade ou, mesmo, a sua personalidade, você simplesmente teria que se encaixar nessa ideologia de gênero.

No entanto, os anos se passaram. O salário do homem provedor médio sozinho já não suportava sustentar uma família direito e as mulheres tiveram que sair do lar para complementar a renda. Com isso, as mulheres foram notando que não precisavam ser obedientes para atender às vontades dos homens, até por que muitas delas foram obrigadas a "fazer a parte homem" por necessidade e sobreviveram. Já os homens parecem que estão acordando agora e notando que essa cultura também faz mal para eles (ah, e que eles também podem ser mais femininos).

Sendo assim, hoje eu sinto que as pessoas estão percebendo que não adianta forçar as crianças a se encaixarem nessas caixinhas binárias pois somos seres extremamente complexos e vivemos em sociedades mais heterogêneas do que antigamente. Então apresento aqui algumas dicas simples de convívio escritas pela Zada Kent, mãe de um garoto trans adolescente, para pais de filhos que não se encaixam perfeitamente na matriz binária e que poderão deixar a vida dessas crianças mais harmônica.

Traduzido de Zada Kent

Existem pelo menos três tipos de transição para indivíduos transgêneros – transição social, legal e médica. Cada uma delas irá influenciar diversos aspectos da vida de uma pessoa, mas todas as facetas detalhadas neste artigo exploram apenas a transição social.

(Se o seu filho já fez a transição social e está pronto para discutir a transição médica ou legal, acredito que o mais correto a se fazer é procurar profissionais que possam ajudá-lo a determinar o que é melhor para o seu filho. A jornada de cada indivíduo trans é única e pede a ajuda daqueles que são qualificados, esse é o melhor conselho que eu posso dar aos outros pais)

Independentemente da idade do seu filho, as dicas abaixo poderão fazer parte da transição social deles como um indivíduo transgênero ou não binário.

Roupas
Embora as roupas não tenham gênero, a maneira como nos vestimos pode representar como nos sentimos sobre nós mesmos e como desejamos nos expressar para os outros.

Quando meu filho se assumiu como transgênero, ele não queria mais usar as roupas femininas que predominavam o seu armário. Ele se apegou às roupas e aos sapatos masculinos, então tivemos que aprender a fazer compras no departamento masculino.

Seu filho transgênero ou não binário pode não querer usar muitas das roupas que ele vestia antes de perceber que não era cisgênero. (Cisgênero se refere à quando a identidade de gênero de uma pessoa corresponde ao seu sexo biológico).

Eles podem querer explorar o uso de itens fora do estilo de roupa que a sociedade atribui ao seu sexo biológico. Ou até mesmo eles podem se identificar como um garoto trans e ainda assim desejar usar vestidos.

É importante deixar seu filho escolher o que ele sente que melhor o representa e é mais confortável. Isso permitirá que eles saibam o quanto você os ama e os apoia, independentemente de como eles se identifiquem ou das roupas que estejam usando.