Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Por que você faz crossdressing e crossplay?

Traduzido de Gin kim

Recentemente recebi uma pergunta bastante estranha, mas auto-reflexiva, de uma pessoa no Facebook. E eu não conheço essa pessoa pessoalmente. “Tenho uma pergunta simples para você”, disse ele no Messenger. “Por que você faz crossdressing e crossplay?” Essa questão bastante “simples” acaba não sendo tão simples assim.

Por que não?

A parte rebelde de mim estava gritando: "por que não?" Por que um cara não pode usar um vestido ou se vestir como uma garota? Embora não seja a norma para a vestimenta dos homens, o que torna o vestido e a maquiagem tão exclusivos para as mulheres? Então, por que não…?

Estresse?

A vida nunca é simples ou fácil. Quando você é um estudante precisa fazer malabarismos entre os trabalhos acadêmicos e os amigos. Em seguida, quando for mais velho você precisa gerenciar o tempo entre o trabalho e a família. A vida é dura. Algumas pessoas optam por fumar cigarro ou beber álcool para aliviar o estresse. Boa parte das pessoas gosta de viajar para se desestressar. Para mim, fazer crossplay para ir em eventos ou fazer crossdressing me ajuda a relaxar. Há anos venho tentando encontrar a razão pela qual o travestismo ajuda a reduzir minha ansiedade.

Cheguei à conclusão de que poderia ser devido a uma parte de mim querendo se conectar de volta a mim mesmo. Parte de mim quer se sentir fofa, algo bem parecido com o que a maioria das garotas também sente. Então, ao oprimir esse desejo ou necessidade, eu poderia estar me tornando infeliz. Finalmente entendo que é apenas um equilíbrio que tenho que manter. Eu não pretendo chegar ao ponto de me montar em tempo integral, também não pretendo abandonar isso de uma hora para outra.

quarta-feira, 30 de março de 2022

A psicologia do crossdressing

Traduzido de The School of Life 

O que é crossdressing e por que fazemos isso?

O crossdressing, e aqui nos referimos particularmente a homens que se vestem de mulher, tende a ter uma má reputação. A ideia de um homem que se entusiasma em vestir uma meia calça tem sido tradicionalmente vista como risível, lamentável – e simplesmente sinistra. Em geral, supõe-se que um casamento facilmente chegaria ao fim no dia em que a esposa encontrasse o marido de calcinha; e que um gerente perderia toda a autoridade se seus colegas soubessem de seu fascínio por maquiagens como rímel e batom. A partir dessa perspectiva, o crossdressing parece uma admissão de fracasso. Em vez de viver de acordo com um ideal de força, robustez e pura "normalidade", um homem que gosta de usar um vestido é considerado um desviante de um tipo particularmente alarmante.

Porém, na verdade, o travestismo se baseia em um desejo altamente lógico e universal: o desejo de ser, por um tempo, o gênero que se admira, se excita e, talvez, se ame. Vestir-se como uma mulher é apenas uma maneira dramática, mas essencialmente razoável, de se aproximar das experiências do sexo sobre o qual se está profundamente curioso – e ainda assim foi (um pouco arbitrariamente) impedido. Conhecemos bem o crossdressing em outras áreas da vida e nem nos damos conta disso. Um menino de cinco anos que vive em um subúrbio de Copenhague e que desenvolve um interesse pelo estilo de vida dos vaqueiros das planícies do Arizona seria encorajado a vestir um chapéu, jeans e colete e apontar sua pistola para um chefe índio imaginário – para aplacar seu desejo de se aproximar um pouco mais do assunto de seu fascínio.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

E se você não for realmente transgênero?

Bom dia a todos e feliz ano novo! Esse ano eu pretendo continuar trazendo mais textos toda quarta-feira para fazer vocês refletirem um pouco, além de dicas, fotos, HQs e qualquer assunto interessante relacionado à nossa vivência fora da norma. A começar por esse texto de um terapeuta americano trans e queer que trata da auto dúvida que temos a respeito da nossa própria identidade. Ele foca em vivências trans, mas o contexto vale igualmente para qualquer pessoa que foge da linha cis-hétero.

Traduzido de Terapeuta Trans

Como lidar com essa questão assustadora.

Eu me entendi como sendo uma pessoa transgênero quando estava com 26 anos. Comecei a fazer a terapia hormonal alguns meses depois e mudei legalmente meu nome alguns meses depois disso. Embora eu tivesse muitas pessoas que me apoiavam, ainda foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz na minha vida. Eu não trocaria isso por nada e estou feliz por ter abraçado quem eu realmente sou.

Nos primeiros anos, fui atormentado por preocupações sobre a validade da minha identidade trans. E se eu não for realmente trans? Eu pensava comigo mesmo. E se eu estiver errado e acabar cometendo um erro terrível? E se eu tiver que desfazer a transição e me sentir insuportavelmente envergonhado?

A maioria das minhas preocupações se baseavam na minha ansiedade, o que significa que estavam focadas no futuro. Essas eram coisas que ainda não haviam acontecido e podem nem acontecer. Para mim, não aconteceu. Embora a destransição faça parte da jornada de algumas pessoas, a maioria das pessoas trans não passam por essa experiência. Infelizmente, as poucas pessoas que desfazem a transição acabam sendo usadas como evidência de que pessoas trans em geral não são reais, o que não só ataca pessoas trans, mas objetifica aqueles que vêm a perceber que não são trans (ou que prefeririam viver a vida como se forem cis, mesmo que não sejam).

Ainda tenho essas preocupações de vez em quando, embora não sejam tão comuns. Até o momento já se passaram cerca de cinco anos e essas preocupações diminuíram à medida que relaxei em minha identidade.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Travestismo pode ser considerado um transtorno ou uma doença?

Quem acompanha o blog deve perceber que eu vejo o meu crossdressing mais como uma característica de estilo pessoal ou de identidade própria do que qualquer outra coisa. No entanto, já postei aqui artigos falando sobre o crosdressing como um fetiche assim como a feminização como um fetiche e, em ambos os casos, a medicina entende o comportamento como um tipo de parafilia, mas será que ele pode ser considerado um transtorno ou uma doença?

Primeiro vale dizer que parafilias, conhecidas como “interesses sexuais invulgares”, são definidas clinicamente como “qualquer outro interesse sexual intenso e persistente que não o interesse na estimulação genital ou carícias preparatórias consentidas com parceiros humanos, fenotipicamente normais e fisicamente adultos”. Ou seja, qualquer fetiche ou comportamento sexual que desvia da norma são considerados como um tipo de parafilia. Além de que, é frequente algum grau de variação nas relações sexuais e nas fantasias de adultos saudáveis. Quando as pessoas concordam mutuamente em praticá-los, os comportamentos sexuais pouco habituais que não causam prejuízo podem integrar uma relação amorosa e carinhosa.

Por outro lado, quando os comportamentos sexuais causam angústia ou são prejudiciais ou interferem com a capacidade da pessoa de desempenhar funções em atividades rotineiras, eles são considerados um transtorno parafílico. A angústia pode resultar das reações de outras pessoas ou da culpa da pessoa por fazer algo socialmente inaceitável. Os transtornos parafílicos podem comprometer seriamente a capacidade de atividade sexual afetuosa e recíproca. Os parceiros das pessoas com um transtorno parafílico podem sentir-se como um objeto ou como se fossem elementos sem importância ou desnecessários na relação sexual.

Sendo assim, travestir-se em si não é um distúrbio (longe disso), mas travestir-se para experimentar uma intensa excitação sexual pode ser, principalmente se causar prejuízo significativo à pessoa ou à terceiros. Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (5.ª edição), uma das bases de diagnósticos de saúde mental mais usadas no mundo, um indivíduo com Transtorno Transvéstico sofre de ansiedade, depressão, culpa ou vergonha por causa de sua necessidade de se travestir. Esses sentimentos geralmente são resultado da desaprovação de pessoas próximas ou de sua própria preocupação com ramificações negativas sociais ou profissionais.

Alguns estudiosos acreditam que o Fetichismo Transvéstico deve ser excluído da Classificação Internacional de Transtornos (CIT) na próxima revisão, embora ainda seja verdadeiro que algumas pessoas se transvestem de modo compulsivo e se sintam angustiados e prejudicados por seu comportamento.