quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Eu não nasci no corpo errado, ao contrário da crença popular

Tenho certeza que eu já escrevi mais de uma vez aqui no blog que pessoas transgênero costumam ter a sensação de ter nascido no corpo errado. Eu li esse tipo de frase em diversos lugares e pra mim até que sempre fez sentido. Entretanto, esse artigo do Oak, um homem trans, me fez perceber que isso não é regra. Na real, o texto me deu uma perspectiva diferente a respeito da transição de gênero. Vamos lá, espero que vocês também apreciem a leitura!

Traduzido de theoaknotes

Transição é algo estranho. Eu pude compreender apenas nos últimos meses que transição de gênero tem significado diferente para cada indivíduo.

Existem quatro tipos diferentes de transições relacionadas a gênero que eu posso nomear com segurança: transições sociais que podem envolver mudança de nome ou de pronome, transições físicas que podem envolver alterações na sua aparência/estilo, transições médicas que podem envolver cirurgias ou terapia hormonal e transições de identidade que podem envolver uma transformação na maneira como a própria pessoa se vê.

Provavelmente estou esquecendo de pelo menos mais uma forma de transição. Tudo isso vem das transições que testemunhei pessoalmente ou que experimentei em primeira mão além dos livros que li (como Sorted da Jackson Bird, Whipping Girl da Julia Serano e Nonbinary: Memoirs of Gender and Identity da Micah Rajunov e A . Scott Duane, para começar).

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Skincare masculino, minha rotina diária de cuidados com a pele

No post Ensaio de um mergulho na piscina eu mostrei meu rosto sem maquiagem, comentei que faço skincare regularmente e acabei recebendo alguns questionamentos sobre a minha rotina de cuidados então resolvi escrever esse post para vocês detalhando o meu processo.

Primeiramente vale comentar que cada pessoa tem um tipo de pele diferente da outra, algumas mais secas, outras oleosas, algumas grossas, outras finas, então pode ser que a minha rotina não seja a ideal para você. Mas se você se interessou por isso e pretende começar a se cuidar saiba que já é um grande passo e logo logo você vai encontrar o processo ideal para você.

Outro ponto importante é saber que existem diferenças nos cuidados para homens e mulheres, principalmente por conta da questão hormonal. Então se você faz terapia com hormônios pode ser que o ideal para você seja uma rotina mais específica para mulheres. Em resumo, a pele dos homens costuma ser mais grossa, os poros tendem a ser mais dilatados, a oleosidade é mais comum por que a transpiração nos homens é mais intensa e ainda temos que lidar com a barba.

Eu aprendi na tentativa e erro o que serve para mim, mas o ideal seria se você pudesse consultar um médico dermatologista para ele fazer um exame minucioso da sua pele e propor as etapas, os cuidados e os produtos para um cuidado eficaz e adequado para você.

Dadas as considerações, vamos aos meus cuidados. O foco do skincare costuma ser o rosto, mas vou falar um pouco do que faço no corpo todo.

Limpeza da pele
Eu tenho o costume de acordar e ir direto tomar um banho então meu processo começa logo cedo. Primeiro eu passo o sabonete de cúrcuma (nesse link eu ensino a fazer) no corpo todo para limpar a pele e diminuir o nascimento de novos pelos. Em seguida, aplico apenas no rosto o Sabonete em Gel da Higiporo. Depois disso eu sinto que a pele do rosto fica limpa mas bem seca.


Fazer a barba
Se você faz a barba com gilete/navalha ou barbeador elétrico agora é o momento certo. Caso opte por deixá-la crescer lembre-se de fazer a limpeza dos fios durante o banho, evitando acúmulo de resíduos ou fungos que poderiam causar problemas de pele e odor.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Apresentando os Femboys, uma tendência positiva no TikTok

Me deparei nesta semana com esse artigo da revista Vice e acho que tenho uma boa notícia para vocês: o crossdressing está saindo da obscuridade e virando moda! Vou traduzir o artigo completo na sequencia, mas em resumo a nova geração está com a cabeça mais aberta no que se refere a feminilidade em homens. A propósito, a tradução literal de "femboys" é algo como "garotos femininos".

Talvez demore um pouco para a moda atingir o Brasil, que dizer, considerando que temos personalidades como o Pabllo Vittar sempre bombando nas mídias pode ser que nem tanto. Enfim, tenho certeza que a medida que isso for mais presente no nosso cotidiano menos estranho será para todos nós, falo principalmente para milhares (ou milhões?) de crossdressers e transgêneros que ainda não se sentem a vontade para sair do armário e externalizar um lado verdadeiro de si mesmo.

Aproveite para ler o artigo Femboys: o Movimento Que Vai das Semanas de Moda ao TikTok da FFW Fashion Forward, ele também trás informações interessantes e relaciona o movimento com o que se vê nas passarelas atualmente.

Screenshots de femboys no TikTok

Traduzido de Vice Media

Garotos adolescentes – tanto queers quanto heterossexuais – estão rodando em vestidos e saias bonitas sob hashtags virais como #femboyfriday no TikTok.

Pessoal, é gay redefinir a masculinidade? Os “femboys” da Geração Z no TikTok argumentam que definitivamente não é – e eles estão argumentando com lindas saias esportivas, blusinhas e vestidos de veludo.

"Femboys" – não confundir com o primo cibernético um pouco mais dark os "e-boys" – são pessoas que se identificam como masculinas ou não binárias, mas se apresentam de formas mais tradicionalmente feminina, como por meio de sua aparência, personalidade ou disposição geral e o visual é mais inspirado na cultura skatista, moda dos anos 1990, anime, hip-hop, gótico e rave.

Dê uma olhada na hashtag #femboy e você encontrará centenas de rapazes usando esmalte nas unhas, girando em saias, blusinhas e vestidos, e geralmente sendo realmente saudáveis. Garotos nada ameaçadores.

Embora o termo femboy esteja circulando no ciberespaço há algumas décadas – principalmente encontrado em fóruns do Reddit – ele foi recentemente adaptado por jovens no TikTok que queriam redefinir o que significa ser um homem no mundo de hoje.

O Seth, femboy de 17 anos, se tornou viral no TikTok de um dia para o outro após postar um vídeo dele usando uma saia esportiva e esmalte nas unhas, com a hashtag #femboyfriday. O vídeo agora tem mais de um milhão de visualizações e, sem dúvida, abriu o caminho para que outros meninos não conformes façam o mesmo. “Eu não sabia que havia toneladas de outros meninos como eu, então o termo [femboy] me deu uma comunidade,” Seth disse à VICE.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Ensaio de um mergulho na piscina

Reparei que faz muito tempo que não posto um ensaio fotográfico aqui. Acho que esse ano eu negligenciei um pouco o blog. Tudo bem que foi um ano atípico pra todo mundo, pelo menos mantive meu Instagram @samyoliverbr até que movimentado. Para compensar vou mostrar um ensaio um pouco diferente que fiz recentemente.

Estive pensando como seria a experiencia de ir para uma praia ou para uma piscina pública de Samy. Não acho que uma situação dessas seja interessante estar de maquiagem ou com algum tipo de enchimento. Até fiz um ensaio quando fui para as praias de Santa Catarina, mas não me arrisquei muito. Então criei coragem para fazer um ensaio sem nenhuma maquiagem, praticamente só com a roupa de praia e a peruca. Confiram o resultado.


Eu precisaria de um look completo para chegar na praia/piscina então resolvi combinar o maiô da Leohex, minha saia jeans de oncinha e um saltão.


Jamais que eu usaria esse salto Pleaser Domina para uma piscina (ou para qualquer outro lugar público) pois apesar de lindo ele tem um salto de 15cm sem meia pata, ou seja quase impossível de andar se não for desfilando vagarosamente.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Normas de gênero e porquê eu não quero ser passável

Já escrevi dois artigos relacionados a passabilidade ("Passabilidade" e "Transgêneros e a necessidade de modificações corporais") e acho que deixei claro que é um termo que não me agrada. Mas eu vivo como homem a maior parte do tempo e pessoalmente não faço questão de realizar uma transição ou algo do gênero. Talvez esse assunto nem seja do meu lugar de fala. Entretanto, ao ler esse texto de uma mulher trans falando sobre os limites da passabilidade para ela eu percebi que vai exatamente de encontro com o que eu penso. Então espero que a reflexão seja de bom proveito para você também.

Traduzido de Rachel Brindell

Para muitas pessoas transgênero ser passável é alcançar o maior objetivo. Há muitas razões para isto. Às vezes pode ser uma questão de segurança, ou para que a pessoa trans se sinta confortável na sua própria pele, ou por uma série de razões e todas elas são válidas.

Para aqueles que não sabem o que é ser passável, é a capacidade de ser visto como uma mulher cisgênero se você for uma mulher trans, ou um homem cisgênero se você for um homem trans.

No entanto, cheguei a um ponto em minha transição em que a aprovação dos outros não é necessária, nem desejada. Eu moro em um estado liberal dos EUA, Nova York, que tem suas próprias leis de proteção de gênero, e a violência contra pessoas trans parece ser mínima. Além disso, sinto que agora posso viver de forma autêntica e sem remorso como eu sempre fui.

Lembro de quando me assumi pela primeira vez há alguns anos e passei pelo processo tedioso e cheio de ansiedade de me assumir para meus entes queridos e amigos. Vários deles me perguntaram o quão longe eu pretendia ir com a minha transição e, francamente, naquele momento eu não sabia. Minha resposta foi “até me sentir confortável em minha própria pele”.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

4 Confissões de gênero que pessoas confiaram a uma garota trans

O texto a seguir é uma tradução do artigo da Phoenix Huber, uma mulher trans americana. Ela compartilhou 4 experiências de gênero que pessoas próximas confessaram para ela. Gostei muito da leitura pois eu mesmo já ouvi diversas histórias similares. Boa parte delas foi graças aos contatos recebidos aqui no blog, mas as que mais me surpreenderam foram de pessoas próximas de mim que enxergaram na Samantha um espaço seguro e confiável para abrir suas experiências pessoais.

Alguns casos renderiam até novelas, mas posso citar que soube de gente que teve experiência homossexual, de gente inconformada com tratamento diferenciado para crianças de cada gênero enquanto crescia, gente que teve que adaptar o jeito natural de ser para se misturar em grupos e até de gente que carrega uma ferida na alma por nunca poder expressar a si mesmo como se sente. Enfim, cada caso serve para abrir um pouco os nossos olhos para a realidade que vivemos.

Traduzido de Phoenix Huber

Ser você mesmo é um ímã para as histórias das pessoas

Quer saber uma das coisas mais legais em ser você mesmo? Sua abertura pode convidar outras pessoas a confiarem a você as suas histórias.

Sentimentos transgêneros me acompanharam desde muito cedo. Ao sair do armário, li autobiografias como Redefining Realness de Janet Mock (sem versão em português). Isso não me tornou uma PhD em lutas de identidade de gênero! Eu ainda tinha muito para aprender.

No entanto, já que eu era visivelmente trans e também uma boa ouvinte, estava aberta a receber uma educação informal. Amigos, familiares e estranhos na web me honraram com suas confissões relacionadas à gênero.

Aprendi o quão diversas são nossas experiências de gênero.

As coisas pararam de parecer chocantes. Ainda assim, ter a confiança das pessoas foi uma experiência humilde. Não há nada como relatos em primeira mão. Ser trans me deu uma visão panorâmica das experiências de gênero das pessoas, muito além do que os blogs anônimos poderiam me ensinar.

Aqui estão 4 casos que as pessoas me contaram. (Alguns detalhes foram alterados por privacidade.)


1. Eu teria feito a transição

“Eu teria feito a transição”, disse ela, “se o mundo fosse diferente naquela época. Antes de eu me tornar definido em minha identidade como Michael. ”

Naquele momento, minha visão de Michael mudou para sempre.

2013 foi quando me declarei transgênero. Celebridades trans estavam em alta. Eu era uma estudante no programa de teatro da ASU, onde eles nos receberam para sermos loucos.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A razão pela qual eu não digo às pessoas que sou mulher

Olá meninas! Sei que estou sumida a um bom tempo e considerando tudo que tem acontecido na minha vida e no mundo todo está difícil de sentar para escrever, publicar ou fazer qualquer coisa do gênero, mas saibam que estou viva e ainda não desisti do blog. Também não desisti da vida de homem feminino, muito pelo contrário, continuo tentando vivenciar meu ego da forma mais sincera possível no dia a dia.

Ultimamente eu estou voltado a ler diversos artigos relacionados a homens femininos e me senti tocado pelo texto do Adrian Acosta (Amnesia Sparkles) que fala do por que ele não se apresenta como sendo mulher para a sociedade, algo que me identifico bastante, e isso me deu ânimo para traduzir e vir postar aqui no blog, quem sabe seja sinal de um retorno... espero que vocês também apreciem!

Traduzido de GenderFun
No ano de 1979 eu nasci, então o médico olhou meus genitais e disse "é um menino". Fui socializado como um menino. Eu vivi a vida de um menino, de um jovem adolescente e depois de um rapaz adulto. Agora, aos 41 anos, o sexo indicado na minha carteira de motorista ainda diz MASCULINO, mas quando eu ando pelas ruas movimentadas de Nova York algumas pessoas me chamam de "moça". Ultimamente as pessoas até me perguntam quais pronomes devem usar comigo. Eu olho para meus genitais e sim, ainda vejo um pênis ali, talvez um pouco maior do que era em 1979. Será que é um menino?

Outro dia, eu estava no telefone com o meu namorado e o colega de quarto dele perguntou se ele estava conversando com um cara ou uma garota. Eu disse a ele para responder "sim". rsrs