Traduzido de The Land Of Green Ginger
Eu alcancei o "padrão ouro" da transição, apenas para me encontrar mergulhando em uma crise que nunca vi chegando.
Eu sei como isso pode soar.
Na verdade, estou escrevendo isso com um certo tremor, porque sei que essa admissão provavelmente vai gerar atrito com muitas pessoas de uma forma que não desejo. Pode parecer ofensivo. Pode parecer incrivelmente frustrante, ou talvez você simplesmente ache que eu sou ingrata ou cruel. Espero, porém, que, ao ver minha perspectiva, você consiga enxergar isso de um lugar neutro. Espero que veja que as emoções humanas raramente se encaixam nas pequenas caixas em que tentamos colocá-las.
Como mulher transgênero, passei metade da minha vida tentando esconder o fato de que eu era uma mulher. Na outra metade, passei cada hora acordada tentando afirmar meu corpo para corresponder ao fato de que eu sou uma mulher. Foi uma guerra desgastante, travada em duas frentes.
Durante anos, vivi num estado de alerta constante. Andava pelo mundo me sentindo como um nervo exposto. Toda interação parecia um teste que eu poderia falhar. Na comunidade trans, chamamos isso de "clocking". É aquele olhar de fração de segundo de um estranho, quando você percebe o reconhecimento em seus olhos: o momento em que percebem que sua história não corresponde à sua apresentação. É a pausa antes de alguém usar um pronome. É a confusão educada.
Passei anos com medo de ser marcada. Eu estava sempre atenta à minha voz, ao jeito de andar, à postura dos meus ombros, fiz até tratamento a laser no rosto. Ou seja, tratava o chão como um campo minado.











