quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Taikomochi, os homens gueixa

Por acaso você imaginava que a bela cultura japonesa das gueixas nasceu na pele de homens?!
Pois é, no século 13 surgiram os primeiros "bobos da corte" no Japão para entreter aos daymio (senhores feudais) com suas danças, mas a receptividade foi tão boa que eles prosperaram e chegaram a virar grandes artistas, conselheiros do daymio e até guerreiros.

Eitaro Matsunoya em apresentação
Gueixas (芸者) são japonesas do gênero feminino que estudam a tradição milenar da arte, dança e canto, e se caracterizam distintamente pelos trajes e maquiagem tradicionais. Contrariamente à opinião popular, as gueixas não são um equivalente oriental da prostituta; esse é um equívoco ocidental por conta da vestimenta das prostitutas tradicionais ter traços similares aos da cultura gueixa.

Inicialmente as gueixas do sexo masculino eram conhecidas como Houkan (nome formal para bobo da corte) ou Taikomicho (Tocador de tambor) e foram muito populares no período feudal, onde sua principal função era entreter o daimyo. Apesar do nome, nem todos tocavam tambor japonês (taiko), mas assim mesmo o nome acabou se popularizando dessa forma.

As apresentações dos Taikomochi eram focadas principalmente na dança e, com o passar do tempo, eles passaram a divertir os senhores feudais através de outras maneiras como participações em cerimônias do chá, como conselheiros ou como contadores de histórias engraçadas. Na verdade os Taikomochi tinham mil e uma utilidades no feudo. Se o senhor feudal queria se divertir, ele chamava o Taikomochi. Se necessitava de alguém para lutar no campo de batalha, ele chamava o Taikomochi. Precisava-se de entretenimento, conselhos de amor ou de guerra, ele chamava o Taikomochi.

Taikomochi Sakuragawa Shichiko e Akasaka Geisha (foto de 2009)
Sakuragawa é um dos últimos Taikomochis remanescentes do Japão
Diferente do caso das hijras e dos transgêneros nativo norte-americanos, o seu declínio iniciou quando as mulheres entraram em jogo e assumiram o papel de entreter. Em 1751, a primeira onna geisha (gueixa feminina) chegou a uma festa e causou bastante agitação. No livro Geisha: The Secret History of Vanishing World (2001), Lesley Downer escreveu que em Yoshiwara em 1770, havia 16 gueixas femininas e 31 gueixas masculinas. Em 1775 havia 33 gueixas femininas e ainda 31 gueixas masculinas. Mas em 1800 já havia 143 femininas femininas contra 45 gueixas masculinas. Detalhe que chegou a existir cerca de 500 Taikomochi no Japão durante o pico de sua popularidade.

Com as moças assumindo o campo do entretenimento (e ganhando um espaço que nunca tiveram) o papel dos homens foi ajustado para somente auxiliá-las nas festas. Chegando no começo do século 20, as gueixas femininas perderam seu espaço para as Jokyu (garotas do café) com a ocidentalização e isso, em conjunto com a chegada da Segunda Guerra Mundial, causou o declínio dos Taikomochi. Embora ainda existam pequenas comunidades de gueixas em Kyoto e Tóquio, hoje existem apenas cinco Taikomochi no Japão.

Cartaz de 1861 com os atores Sawamura Tanosuke III como a Geisha Ofuji e
Nakamura Shikan IV como o Taikomochi Jakuhachi
Conheçam a história do Eitaro Matsunoya
Na década de 1980, a última casa de gueixas de Tóquio tinha fechado suas portas durante a era da bolha imobiliária do Japão. A mãe de Eitaro, uma gueixa hábil e carismática, dedicou sua vida a reviver a cultura gueixa local até sua morte, devido ao câncer.

Eitaro sempre foi um dançarino hábil, ele começou a aprender papéis tradicionais de dança feminina com oito anos de idade e aos onze se apresentou pela primeira vez no teatro nacional do Japão. Após a morte de sua mãe, ele assumiu o papel dela como mestre de casa de gueixa e, com sua irmã Maika, supervisiona um grupo de outras seis artistas. Sua missão é popularizar novamente a cultura das gueixas!

Por ter assumido o papel da mãe, atualmente ele é o único homem que atua no papel feminino das gueixas nas apresentações. Confira algumas fotos do Eitaro Matsunoya durante a sua preparação e apresentação a seguir:

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