quarta-feira, 28 de abril de 2021

Porquê o autêntico Cristianismo deveria apoiar a comunidade LGBT

Apesar de eu ser um ateu/agnóstico convicto, acho interessante conhecer um pouco do que cada religião tem para nos ensinar, independente da origem dela. E, com esse olhar externo, sempre achei estranho o moralismo defendido pela Igreja Católica quando comparado com os ensinamentos de Jesus de Nazaré, supostamente a essência da fé cristã. O texto a seguir é de um rapaz cristão e homossexual que sentiu isso na pele e, apesar de tudo, nunca perdeu a fé.

Traduzido de Andrew Springer

O amor radical e a inclusividade que Jesus Cristo pregou é o mesmo amor que reuni a comunidade LGBT.

Quando eu estava crescendo na Virgínia Ocidental (EUA), quase todos os “cristãos” em minha vida me disseram que ser gay era pecado. Então eles me disseram que ser gay não era pecado, que agir como gay era pecado. Seja gay, mas não seja gay. Namore garotas, case-se com uma mulher ou passe a eternidade no Inferno.

E quando tudo isso não se concretizou, meu melhor amigo, que era como um irmão para mim, me excluiu completamente da vida dele. Ele comparou ser meu amigo, alguém que “viveu voluntariamente o pecado”, a levar um alcoólatra a um bar. Ele já não fala comigo há onze anos.

Eu não posso te dizer o quanto isso me doeu, ou quanta distância colocou entre mim e Deus. Eu parei de ir à igreja. Eu parei de orar. Minha fé se ausentou. Mas, desde então, está lentamente retornando. Porque eu sei agora que ser cristão e ser LGBT são essencialmente a mesma coisa, não importa o que os fundamentalistas digam.

Aceitei há um tempo que, no fim das contas, os fundamentalistas vão me odiar de qualquer maneira. Eu sei que eles rejeitam a mensagem central de Jesus Cristo. É uma mensagem tão simples que pode ser resumida em uma única palavra: Amor.

Quando se questiona qual é o maior mandamento? Como realmente vivemos uma vida boa? Como vivemos uma vida moral? Jesus responde que você deve amar a Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma e todo o seu entendimento, e que você deve amar o próximo como você ama a si mesmo.

Este Maior Mandamento é tão central para a essência do Cristianismo que aparece em todos os quatro Evangelhos (Mateus 22:35–40, Marcos 12:28–31, Lucas 10:25–28, João 13:31–35). E vale a pena ressaltar que não se trata da "Grande Sugestão". Não é algo como "bom, talvez eu ame o próximo quando eu tiver vontade" ou "eu vou amá-lo se ele não for gay". Não. Se trata do Grande Mandamento, um mandamento de Deus. E não sei você, mas quando eu acredito que Deus está me ordenando a fazer algo, vou tentar dar o meu melhor para atendê-lo.

No entanto o que eu nunca tinha pensado até recentemente era como o meu jeito Queer de ser é semelhante ao meu cristianismo. Algumas semanas atrás, a progressista Igreja Metodista da Vila aqui na cidade de Nova York citou a Reverenda Liz Edman, uma sacerdotisa episcopal lésbica, em seu boletim da igreja: “Não estou dizendo que as pessoas queer são ou deveriam ser cristãs. Estou dizendo que o Cristianismo autêntico é e deve ser queer”.

Para mim, no ponto central da comunidade LGBT é o mesmo ponto central do cristianismo: o amor. É um amor radical e incondicional. É um amor inclusivo. É o amor que Jesus Cristo teve pelas pessoas com deficiência, leprosos, doentes e pobres, ou seja, as pessoas que a sociedade menosprezava. Em nossa comunidade LGBT nós também nos abraçamos e amamos uns aos outros, justamente as pessoas que esta sociedade menospreza: os gays, as lésbicas, os bissexuais, os assexuais, os transgêneros, os queers, os questionadores, os diferentes. Não consigo pensar em nada mais cristão do que esse amor.

Não posso dizer que ouvir que eu seria mandado para o inferno foi fácil. Não posso dizer que gostei de ser chamado de bicha. E nem posso dizer que a dor desapareceu completamente. Mas sei que, por meio do ódio, aprendi a amar. Aprendi a amar a Deus, aprendi a amar ao próximo e a amar o meu jeito queer e gay de ser. Acho que os fundamentalistas têm muito a aprender com a nossa comunidade LGBT, porque somos mais cristãos do que eles jamais serão.

Orgulho LGBT

Duas observações: Há muito parei de debater a Bíblia com as pessoas, porque os odiadores vão odiar, mas se você quiser uma excelente redação versículo por versículo, dê uma olhada neste excelente artigo ("A Bíblia não condena a 'homossexualidade'. Sério, não mesmo" – em inglês). E se você estiver procurando por uma comunidade cristã autêntica que seja aberta e receptiva, dê uma olhada na Igreja Episcopal, na Igreja Unida de Cristo, na Igreja Presbiteriana (EUA) ou no Movimento de Reconciliação da Igreja Metodista Unida (este é apenas um lista curta, é claro!).

Nota da tradução: o texto original adotou bastante o termo Queer (em português 'excêntrico', 'insólito') que é uma palavra proveniente do inglês usada para designar pessoas fora das normas de gênero, seja pela sua orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, ou características sexuais. O termo é frequentemente usado para representar pessoas com identidades remetentes à sigla LGBT+.

1 Comentário(s)
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Um comentário:

Unknown disse...

Sinceramente discordo da opinião dele ,eu realmente acho cristianismo essencialmente homofobico e atamente machistas,eu mesmo durante uma fase da minha vida comecei a me aproximar da igreja católica (embora nunca tenha ido a igreja) comecei a simpatizar pela doutrina e percebo hoje que não tive uma boa experiência,eu me tornei uma pessoa mais intolerante e ate mesmo a nao me aceitava mais consegui abandonar as ideias justamente por que ainda tinha um pé atras com algums coisas que eram ditas,hoje em dia eu leio a bíblia fico espantado com a forma de como a mulher é tratada ali elas são sempre as vilãs e toda mulher que nao obedece o marido é senpre inrracional ou perversa ou egoísta entre outras coisas(como a esposa de ló por exenplo) isso sem falar o fato de que tanto o Diabo como o propio Deus parece competir pra ver quem é mais perverso com a humanidade além de parecer que ambos usam os humanos ao seus caprichos pessoais,eu não vou generalizar,nem todo cristãos é intolerante a minha irmã mais velha por exemplo é evangélica sabe a respeito da minha sexualidade ele aceita,mais a religião em si tem essa característica.