quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

HQ - Libertando a garota de dentro

História em quadrinhos traduzida de Ascubis 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Eu sou trans, e isso me faz uma narcisista

As vezes eu tenho a impressão de que as pessoas que não tem nenhuma ligação com movimento trans acha que tudo nesse meio se resume apenas a questão da nossa aparência externa. Como essas pessoas não entendem como é o sentimento interno de disforia, elas nos julgam apenas pelo que elas veem. Tudo bem que boa parte dessas pessoas nunca teve nenhum tipo de contato direto com pessoas trans, mas essa falta de empatia acaba tornando a questão trans muito superficial.

O texto a seguir da Stella Luna complementa a questão da autodúvida trazida no último texto e reflete sobre essa superficialidade a respeito do tema.

Traduzido de Stella Luna

“A comunidade LGBTQ não tem o direito de exigir o respeito que todos os outros recebem!”

Todas as manhãs eu acordo com um grande sorriso no rosto. Vou tirando as cobertas do meu corpo perfeito, pulo para o banheiro e bebo do meu lindo reflexo. Sou a criatura mais linda que eu já vi, quase automaticamente penso comigo mesma. Como o pequeno rio onde Narciso fica, eu poderia passar o dia todo aqui com a água correndo, apenas me admirando em vez de lavar o rosto e me arrumar.

Uma vez que estou limpa e pronta para sair, fico angustiada sobre que roupa devo usar, porque sei que não importa aonde eu vá, as pessoas estarão me cobiçando e me encarando. Eu sou alta, admirável e quero todos os olhos em mim, não importa o que eu faça.

Depois de um longo dia impressionando os transeuntes no meu desfile de moda individual, eu deslizo para a minha cadeira e clico e clico no meu teclado, escrevendo mais uma história sobre minha vida tão importante e como o mundo deveria girar ao meu redor só porque eu sou trans. 

…Sim, claro. Acho que esse é o conceito errado que as pessoas têm sobre as pessoas trans que assumem ou escrevem sobre suas experiências. Tive pessoas na vida real e online me chamando de "narcisista" por eu escrever sobre minha experiência ou por focar na transnidade em geral.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

E se você não for realmente transgênero?

Bom dia a todos e feliz ano novo! Esse ano eu pretendo continuar trazendo mais textos toda quarta-feira para fazer vocês refletirem um pouco, além de dicas, fotos, HQs e qualquer assunto interessante relacionado à nossa vivência fora da norma. A começar por esse texto de um terapeuta americano trans e queer que trata da auto dúvida que temos a respeito da nossa própria identidade. Ele foca em vivências trans, mas o contexto vale igualmente para qualquer pessoa que foge da linha cis-hétero.

Traduzido de Terapeuta Trans

Como lidar com essa questão assustadora.

Eu me entendi como sendo uma pessoa transgênero quando estava com 26 anos. Comecei a fazer a terapia hormonal alguns meses depois e mudei legalmente meu nome alguns meses depois disso. Embora eu tivesse muitas pessoas que me apoiavam, ainda foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz na minha vida. Eu não trocaria isso por nada e estou feliz por ter abraçado quem eu realmente sou.

Nos primeiros anos, fui atormentado por preocupações sobre a validade da minha identidade trans. E se eu não for realmente trans? Eu pensava comigo mesmo. E se eu estiver errado e acabar cometendo um erro terrível? E se eu tiver que desfazer a transição e me sentir insuportavelmente envergonhado?

A maioria das minhas preocupações se baseavam na minha ansiedade, o que significa que estavam focadas no futuro. Essas eram coisas que ainda não haviam acontecido e podem nem acontecer. Para mim, não aconteceu. Embora a destransição faça parte da jornada de algumas pessoas, a maioria das pessoas trans não passam por essa experiência. Infelizmente, as poucas pessoas que desfazem a transição acabam sendo usadas como evidência de que pessoas trans em geral não são reais, o que não só ataca pessoas trans, mas objetifica aqueles que vêm a perceber que não são trans (ou que prefeririam viver a vida como se forem cis, mesmo que não sejam).

Ainda tenho essas preocupações de vez em quando, embora não sejam tão comuns. Até o momento já se passaram cerca de cinco anos e essas preocupações diminuíram à medida que relaxei em minha identidade.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Meu marido é crossdresser, e agora?

Como o ultimo artigo foi meio pesado ao tratar a respeito de um relacionamento que acabou em divórcio por conta do crossdressing do marido, resolvi trazer outro com a mesma temática para equilibrar as coisas e fechar a série com chave de ouro. Dessa vez o artigo é de um site especializado em relacionamentos que tenta explicar para as esposas de crossdresser o que é essa expressão atípica do marido delas e sugere algumas dicas para que o relacionamento do casal possa continuar de maneira saudável.

Adaptado de Her Norm

Como você reagiria se descobrisse que o seu marido está usando calcinha sob o terno ao seu lado em um jantar? Ou se você se deparasse com fotos do seu marido totalmente travestido como se fosse uma modelo que você teria admirado se não tivesse notado as características distintas dele?

Cada mulher irá reagir de maneira diferente à descoberta de que seu marido é crossdresser, e a reação é fortemente influenciada pela maneira como ela descobre isso. De suspeitas depois que ela percebe que a sua melhor lingerie está sumida, até flagrar o marido totalmente travestido quando volta para casa mais cedo do que o normal, a descoberta quase sempre será impactante.

Algumas mulheres acham isso um caso fascinante e intrigante, mas a maioria se abalada como se estivesse no meio dos tremores de um grande terremoto. O que causa essa reação na maioria das pessoas? Uma possível resposta é que, quer a esposa descubra ela mesma, quer o marido resolva se abrir (algumas mulheres preferem saber disso como uma confissão), esse detalhe normalmente será um segredo muito bem guardado pelo homem.

Vale dizer que os crossdressers do sexo masculino se preocupam muito com a percepção que as outras pessoas têm deles e, na maioria dos casos, o marido até tenta expurgar esse aspecto de sua personalidade para os limites da inexistência. Desde sempre houveram homens crossdressers que conseguiram expressar plenamente sua feminilidade se vestindo como mulheres, como observado no artigo Uma História Secreta de Cross-Dressers (Sébastien Lifshitz), mas a maioria dos homens tem o azar de não ter a oportunidade de conseguir se apresentar como uma Dolly Parton. Então eles se esforçam para reprimir qualquer vontade que apareça.

Então este artigo explica resumidamente o que é crossdressing, aborda sobre o desejo de um homem de se travestir, apresenta outras opiniões sobre o tema e sugere dicas de como se ter um relacionamento saudável ao lado de um parceiro que é crossdresser.

A coisa mais importante a se ter em mente neste momento é que, se vocês dois estiverem dispostos a contornar a situação, o seu relacionamento sobreviverá e o travestismo dele não tornará o convívio de vocês drasticamente desagradável. Espero que as dicas deste artigo te ajudem a resolver as coisas com o seu parceiro, especialmente se para você isso soar como um pesadelo que se transforma em realidade.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Nos divorciamos porque meu marido era crossdresser

Complementando o texto da semana passada, O ponto de vista da esposa de crossdresser, o artigo de hoje trás a história de uma esposa que foi informada sobre o fetiche de crossdressing do marido depois de anos de relacionamento e que até tentou conviver com isso, mas neste caso eles não conseguiram entrar em comum acordo e preferiram terminar o relacionamento. Aqui vale refletir sobre a perspectiva da mulher.

Claro que cada caso é um caso e é uma questão complexa, mas pra mim fica evidente que não vale a pena investir num relacionamento sem abrir sobre crossdressing logo no início. Independentemente se o seu crossdressing é só um fetiche, se é um estilo de vida ou mesmo se você esteja decidido a por um fim nisso, sua sinceridade a respeito disso é uma demonstração de respeito com a sua companheira. Pode ser que ela procure aceitar e aprenda a conviver com vocês, mas também pode ser que acabe com o futuro de vocês. Apesar disso, eu suspeito que seja melhor abrir no início e tentar encontrar um termo de convívio do que causar uma desilusão maior no futuro. 

Traduzido de woman's day

Eu estava na cama com meu ex-marido, enquanto os seis anos de sexo abaixo da média passavam pela minha mente como um filme mudo.

O início do nosso relacionamento era só rosas e passeios na praia. Literalmente. Com o passar do tempo, chegamos ao nosso trigésimo encontro, quando resolvemos comprar um colchão juntos. Carregamos o novo colchão de casal por três lances estreitos de escada e ele, suado e com o rosto vermelho, logo se jogou em cima dele. Eu o imaginei estendendo a mão para mim com paixão – e ele o fez. Mas, ao invés de me atirar na cama, ele me puxou em sua direção de uma forma que só poderia ser descrita como casta.

"Esse colchão será muito mais confortável", disse ele. Era como se o sexo nem fosse um interesse.

Avance vários anos nessa história e a conversa que encerrou nosso casamento começou assim:

"Tenho algo que preciso dizer a você – algo que eu nunca disse a ninguém antes", disse ele.

Ainda estávamos na fase de lua de mel neste ponto, literal e figurativamente. Estávamos deitados lado a lado olhando para o teto depois de outro coito rápido e insatisfatório – ao qual eu estava me acostumando, de alguma forma.

"O que é, baby?" Eu perguntei. Eu mal conseguia pronunciar as palavras por causa do nó na minha garganta.

Ele ficou em silêncio. O tempo se esticou e diminuiu. E então ele disse sem rodeios: "Eu só consigo ficar excitado se eu estiver usando roupas femininas."

Estranhamente, meu primeiro instinto foi confortá-lo. Fiquei emocionada que ele confiasse em mim o suficiente para compartilhar seu segredo mais sombrio comigo, e eu realmente pensei que isso não iria acabar com o nosso relacionamento. Até comemorei o quão aberta e receptiva eu era. Mesmo sabendo que o travestismo não era uma coisa ruim, a notícia me atingiu como se fosse um diagnóstico de câncer ou de depressão. Eu nunca poderia ir embora porque o meu parceiro estava lutando contra algo assim.

Mas acabou que a minha resposta positiva durou pouco.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O ponto de vista da esposa de um crossdresser

Quando eu postei o artigo Entrevista com Sra. Oliver, esposa de crossdresser, há 5 anos atrás, eu queria mostrar para os outros crossdressers que é possível estar num relacionamento heterossexual saudável sendo um crossdresser. Naquela época eu estava casado e, apesar dos altos e baixos desse meu estilo de vida, eu vivenciava um relacionamento estável. Tanto que ele sobreviveu por cerca de 10 anos. No entanto, várias outras esposas de crossdresser comentaram naquele post sobre a experiência delas, nem sempre positivas, e me fez refletir profundamente sobre isso.

O texto a seguir foi escrito por um outro crossdresser que vive um relacionamento heterossexual estável, mas ele tenta se colocar no ponto de vista da esposa e nos mostra que nem tudo são flores nessa nossa jornada.

Traduzido de Enjoy Crossdressing

Todas as vezes que eu li algum artigo falando sobre o relacionamento entre um crossdresser e sua esposa, eles sempre foram escritos do ponto de vista do crossdresser. É por isso que agora eu gostaria de tentar apresentar o ponto de vista da esposa sobre o travestismo do marido.

Sei que cada caso é um caso e que vários fatores irão influenciar, principalmente a maneira como a esposa descobre que o marido é crossdresser, entre outros.

Aparentemente, todos os problemas envolvidos nesta questão vêm de não contar à esposa sobre o crossdressing desde o princípio. Se ela soubesse antes de se casar, ela teria uma opção de escolha, mas aparentemente na maioria dos casos elas não tiveram essa escolha.

Antes de falar abertamente sobre meu crossdressing com minha esposa, eu estava apenas afundado na minha própria situação, em o quanto eu gostaria de poder compartilhar isso com minha esposa e, acima de tudo, se ela aceitaria de bom grado e me apoiaria nisso.

Nunca parei para pensar em como ela se sentiria a respeito. Tudo o que importou para mim naquele momento foi que ela dissesse sim ao meu pedido.

E cheguei à conclusão de que eu nunca fui justo com ela nesse sentido.

Quando o fiz, quando tentei me colocar no lugar dela, pude entender que essa experiência, em um caso extremo, poderia ser terrível e deprimente para qualquer companheira.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

A dualidade paradoxal da cantada de rua na visão de uma mulher trans

Sei que as vezes a intenção pode até ser das melhores, mas ser abordado por um desconhecido no meio da rua sem ter dado nenhum tipo de abertura pode ser uma experiência bem desagradável. Ainda mais no nosso país onde não temos garantia de segurança em espaços públicos. Fora que alguns homens esperam por algum tipo de resposta à abordagem deles e nem sempre sabem lidar de boa quando são ignorados.

Lembro uma vez que fui passear numa feirinha de rua durante o dia e um grupo de três homens me abordaram do nada. Para mim foi uma sensação bem ruim, eu só queria passear e ver os artesanatos. Por outro lado, conheço outras crossdressers e travestis que percebem esse tipo de cantada apenas como um tipo de elogio, principalmente por elas receberem um tratamento similar ao de uma mulher cis. Talvez isso seja parte da cabeça de homem que temos, talvez seja uma oportunidade de se sentir admirada. Enfim, o texto a seguir é da Rachel Anne Williams, uma mulher trans, e ela argumenta sobre o lado positivo e negativo desse sentimento.

Traduzido de Transphilosopher

Isso não acontece com frequência, mas ontem à noite recebi uma cantada. Eu estava voltando para o meu carro em um posto de gasolina e havia um grupo de caras do lado de fora. Já no limite, um deles grita para mim "Ei, querida, como vai?". Muitos sentimentos passaram pela minha cabeça quando eu respondi "Estou bem" e tentei entrar no meu carro o mais rápido possível.

Um dos sentimentos que eu senti foi o medo. Eu estava com medo de que minha resposta "Estou bem" revelasse que sou transgênero por causa da minha voz e que aquele homem, tendo me cantado, sentisse que masculinidade dele foi ameaçada e então ele acabasse me espancando até o fim, por isso entrei no meu carro o mais rápido possível.

Outro sentimento foi de nojo. Fiquei enojada com a forma grosseira como os homens podem ser com as mulheres e senti uma pontada de injustiça em solidariedade com outras pessoas identificadas como mulheres que são cantadas ao acaso.

Mas aqui está o sentimento paradoxal: além do medo e da repulsa, também senti uma impulsionada na minha autoestima, porque ser cantada é uma indicação de que os hormônios e minha apresentação estão funcionando de tal forma que as pessoas me percebem como mulher. Esse é o meu objetivo, e é bom obter evidências positivas de que estou me aproximando desse objetivo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Como atingir o lendário orgasmo anal

Primeiro eu gostaria de dizer que faz tempo que eu queria escrever esse artigo, até encontrei aqui nos meus arquivos umas pesquisas salvas sobre esse tema de uns anos atrás. Nesse meio tempo eu cheguei a escrever sobre o sexo anal e a inversão de papéis, que tem relação direta com o tema desse artigo e vale a pena você ler antes de continuar, mas eu fiz questão de passar pessoalmente pela experiência para então poder descrever aqui para vocês.

Antes de continuar, acho importante destacar algumas questões:

  • As dicas que vou passar aqui vão ajudar você a conhecer o seu próprio corpo e a explorar possibilidades de prazer que normalmente são ignoradas por questões supostamente morais;
  • Estimular a região anal ou a próstata por si só não tem absolutamente nenhuma relação com orientação sexual, principalmente se você estiver buscando isso por conta própria;
  • Cada pessoa terá uma experiência única. Pode ser que você se encante na primeira tentativa, pode ser que você prefira o estímulo anal apenas como complemento do estímulo peniano, pode ser que demore anos para você acertar o seu ponto (como aconteceu comigo), assim como pode ser que você nunca atinja o orgasmo anal mesmo depois de tentar inúmeras vezes;
  • Vou focar um pouco mais no orgasmo anal pela estimulação da próstata pois sou um homem biológico e é isso que eu tenho para explorar, mas, pelo que eu pesquisei, as técnicas são bem similares para a anatomia feminina.

Bom, então vamos começar pela questão biológica do negócio.

Quando um dedo ou um brinquedo erótico é inserido no ânus de uma pessoa, algumas diferentes partes do corpo acabam sendo estimuladas. A começar pelo próprio ânus.

Nosso furico é, na verdade, o orifício no final do intestino grosso regulado pelo esfincter, que tem como suporte a musculatura do períneo e que recebe inervação pelo nervo pudendo, que é o responsável pela transmissão da sensação de órgãos genitais externos de ambos os sexos. Isso faz com que o local tenha uma sensibilidade que, para algumas pessoas, forneça sensações incríveis quando estimuladas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Existe um terceiro sexo? (texto de 1906)

Se você acha que a "ideologia de gênero" é um projeto moderno da esquerda feito especialmente para destruir a família e a heterossexualidade, sinto dizer mas você está enganado. O texto a seguir veio do livro "Mannweiber und Weibmänner" (Homens mulheres e Mulheres homens – Tradução livre) de 1906 escrito por Anne von den Eken e também foi publicado na revista alemã O Terceiro Sexo em 1930.

O artigo trata justamente das pessoas que não se encaixam perfeitamente no binarismo de gênero e questiona a ideia de que exista um terceiro sexo. Na visão da autora, o masculino e o feminino são duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as pessoas e ela usa da biologia para embasar a origem disso. Sinceramente, eu não esperava que um texto escrito a mais de 100 anos atrás pudesse estar tão alinhado com o que eu penso.

Traduzido de The Weimar Project

Sempre classificamos as pessoas em apenas dois sexos. Mas, por vários anos, o termo “terceiro sexo” tem aparecido com frequência (1). Milhares de pessoas usaram a frase, brincando de improviso ou zombando, sem ter noção de quanta tristeza e sofrimento, quanta luta e desespero se esconde por trás desse termo. Poucos sabem que o “terceiro sexo” não é apenas uma calúnia para excêntricos masculinos e femininos, mas que realmente existe há milhares de anos, sim, presumivelmente já existia na Terra antes dos outros dois sexos. Há estudiosos que querem provar que as primeiras pessoas eram dualistas (2), ou seja, homem e mulher unidos em uma única pessoa.

De acordo com a velha história bíblica da criação, Adão foi criado primeiro, e de seu corpo nasceu Eva. Daí em diante eles viraram “marido e mulher” e estavam literalmente unidos em um só corpo. É bem provável que os antigos cronistas bíblicos quisessem sugerir que pessoas pré-históricas com sexo duplo eventualmente se desenvolveram em pessoas separadas. Não há dúvida de que existiam pessoas na Terra muito antes de Adão e Eva. Como a bíblia fala apenas de uma parte da população da Terra, infelizmente perdemos a história do resto do povo e, portanto, só podemos provar a existência de outros tipos de seres a partir dos vestígios que ainda estão evidentes em nossos corpos de hoje. O fato é que atualmente tanto homens quanto mulheres, depois de tantos milhares de anos, carregam sinais claramente reconhecíveis do outro sexo. O mais marcante deles são os mamilos do homem, que têm o único propósito de amamentar crianças. Mas o corpo feminino também mostra um resquício do masculino em seus órgãos genitais, a saber, o clitóris, que nada mais é do que um pênis subdesenvolvido.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Exploração de gênero e curiosidade por meio de roupas

Sempre achei incrível o poder das roupas. Seja aquele casaco de couro que deixa a pessoa com uma atitude confiante. Ou aquele vestido lindo e brilhante que atrai toda atenção para quem o está trajando e a faz sentir a pessoa mais poderosa do local. Ou aquele terno feito sob medida que sutilmente mostra o quanto a pessoa pode pagar pela exclusividade. Ou até aquele look básico que falaram que não era para o seu gênero, mas que faz você se sentir bem consigo mesmo de uma maneira inexplicável.

Entendo que as roupas ajudam você a expressar quem é você mesmo, desta forma, ter plena liberdade de poder escolher o tecido ou corte de roupa que te agrade deveria ser muito mais importante do que essas limitações sociais que envolvem o formato do seu corpo, principalmente o seu aparelho genital. O texto a seguir fala sobre quando caiu a ficha da Grace Van Der Velden, uma mulher cis, a respeito dessas possibilidades que as roupas trazem. 

Traduzido de Grace Van Der Velden

O que colocar lingerie em um homem pela primeira vez me ensinou sobre mim mesma.

Recentemente, coloquei lingerie em um homem pela primeira vez. Era um body de renda cor creme coberto de babados nos ombros e um decote em V profundo que revelava perfeitamente seu peito peludo. Era a minha peça de roupa mais feminina, mas só me fez sentir do jeito que pensei que sentiria quando a vi nele.

Através da exploração pessoal, em privado, com um parceiro, encontrei um tipo de liberdade, alegria e êxtase que eu nem sabia que era possível.

Quando vi meu parceiro vestindo a minha lingerie... algo dentro de mim mudou, se soltou e um novo sentimento começou a surgir. Isso liberou uma onda de curiosidade e poder que eu nunca tinha experimentado antes, mas que estava fluindo e se acumulando em minha mente por um longo tempo.

No passado, eu me sentia impedida de explorar expressões de gênero e emoções por meio de minhas escolhas de estilo. O que coloquei no meu corpo sempre pareceu como uma performance com significado para todos, exceto para mim. Minha roupa era uma maneira de tentar agradar as outras pessoas, e me colocava em segundo plano.

Mas agora, quero que minhas roupas sejam um indicador físico de tudo que flui através de mim – meus pensamentos, emoções, masculinidade, feminilidade e curiosidade.

Estou aprendendo a seguir esses sentimentos – a lançar uma luz em cada canto e recanto da minha imaginação e criatividade, em vez de deixá-los serem encobertos pelas teias da expectativa da sociedade. Estou aprendendo a fazer uma pergunta e ver quais respostas eu encontro dentro de mim primeiro, ao invés de buscar validação externa. Eu quero buscar experiências de nicho, uma reação emocional, um momento de euforia corporal que eu nunca havia considerado antes – aqueles que estão presos no contexto das roupas e o que significa ser a pessoa dentro delas.