quarta-feira, 23 de maio de 2018

Reeducação alimentar: meu segredo para o corpo esbelto

Nos últimos anos eu tenho sentido um certo orgulho de mim por conseguir manter meu corpo com as curvas que eu desejo. Sei que ele poderia estar um pouco mais feminino se eu recorresse ao tratamento com hormônios, no entanto como isso continua fora dos meus planos eu dependo exclusivamente do controle da minha alimentação e de exercícios para gerar e manter essas formas desejadas.

Meu histórico de luta contra a balança é longo, diria que começou ainda na adolescência. Quando eu tinha uns 12 anos lembro que eu era um piá de prédio sedentário que passava as tardes comendo bolacha e assistindo televisão, consequentemente foi uma época em que eu engordei excessivamente para um adolescente.

Nesse momento meus pais tomaram uma atitude e me matricularam em escolinhas de futebol, basquete, natação e capoeira. Acho que eu aguentei a rotina por um semestre e até cheguei a emagrecer, no entanto a carga repentina de exercícios forçou meu joelho e me causou uma lesão do tendão patelar, o que me obrigou a largar a maioria dos exercícios e seguir apenas com a natação.
Deste momento até os 15 anos eu me mantive estável um pouco acima do peso ideal, mas a adolescência e a vontade de paquerar meninas me acordou, então resolvi fazer dieta e aumentar a carga de exercícios para ficar com um corpo esbelto. A ação deu certo e fiquei magrinho até o começo da faculdade!

Fazendo o curso de engenharia eu senti o efeito sanfona na pele. Logo no primeiro ano eu comecei a trabalhar e a minha rotina ficou divida entre trabalho e faculdade, sem sobrar tempo para fazer exercícios. Na verdade mal sobrava tempo para comer, então minhas refeições foram substituídas por lanches e porcarias. Resultado: fui engordando sem parar até chegar à 96kg aos 21 anos!!
Vale acrescentar aqui que nesse período eu tentei abandonar o crossdressing. Para entrar em uma determinada empresa eu tive que cortar o meu cabelo comprido (foi um pré-requisito na entrevista) e o ambiente dessa empresa era bastante machista, somando isso com o sentimento de culpa que eu tinha na época eu acabei jogando as minhas roupas no lixo e tentei "enterrar" a Samantha. Deste modo, além da falta de tempo, eu não tinha nem motivos para querer cuidar do meu corpo...

Depois que eu saí desse lugar me caiu a ficha de que não seria possível abandonar o crossdressing e aos poucos fui "desenterrando" a Samantha. Resolvi então dar um jeito de emagrecer, mas como a falta de tempo ainda imperava eu acabei apelando para remédios como o Sibutramina. De fato ele funciona e ajuda você a não sentir fome, mas cada vez que eu tentava parar com o remédio logo eu recuperava o peso.
Foi então que entrei para a última fase dessa batalha! Duas ações foram decisivas para o sucesso: primeiro foi a perda de peso com exercícios e depois veio a reeducação alimentar para manter. A perda de peso demorou cerca de um ano e o exercício que mais me ajudou na época foi o spinning. Eu fazia aula 3 vezes por semana e suava litros, lembro que tive que perder uns 15kg para chegar no meu peso ideal.

Para não voltar ao efeito sanfona eu resolvi aderir à Reeducação Alimentar e mudei o meu comportamento. Recentemente completou 5 anos que eu tomei essa decisão e o meu peso tem estado estabilizado entre 73kg e 76kg (não dá pra escapar das festas de fim de ano, né?). Sendo assim, vou compartilhar com vocês alguns pontos importantes que garantiram o meu sucesso nessa empreitada:

1. Deve partir de você
Primeiro e mais importante, essa mudança de comportamento depende de você! Só você pode colocar na balança se vale a pena diminuir o prazer da comida em troca de um corpo mais esbelto. Se você está fazendo por obrigação ou porque alguém está insistindo vai ser mais difícil de persistir, então pense bem antes de começar.

2. Aprendizado para a vida
Reeducação alimentar é completamente diferente de uma dieta, se trata de uma mudança de comportamento que te acompanhará para sempre. A ideia é não ter uma tabelinha com o que pode ou não comer, assim como não precisará passar por restrições e nem verá resultados imediatos, a mudança te fará refletir antes de ingerir qualquer coisa e os resultados são esperados a longo prazo tanto no corpo quanto na saúde.

3. Reeduque o seu paladar
A maioria dos alimentos industrializados encontrados no mercado possuem diversos aromatizantes e intensificadores de sabor para melhorar a nossa experiência (e nos viciar). Quando uma pessoa que come basicamente alimento industrializado resolve partir para algo mais natural vai acabar achando que a comida não tem gosto.

Se você não gosta de algum alimento e sabe que ele é importante pra sua saúde, experimente-o várias vezes. Cozinhe os legumes com uma folhinha de louro ou adicione um dente de alho esmagado nas receitas, isso pode conferir um sabor mais agradável, facilitando a adaptação. Experimente receitas novas e prefira sempre as opções integrais, pois elas diminuem a fome e regulam o intestino.

4. Vontade vs. Fome
Comer é um dos grandes prazeres da vida (pelo menos para mim). Seja um prato de arroz, um pedaço de lasanha ou uma sobremesa de chocolate, não precisa de muita sofisticação para se obter momentos de satisfação! O problema é que nossa vontade de comer e saborear pode facilmente se sobrepor à necessidade calórica do nosso corpo, o que gera um excesso e, bom, acaba em gordurinhas!

Como não pretendemos realizar restrições, a dica é moderar! Pizza é uma delícia, mas precisa comer uns 6 ou 10 pedaços? Precisa de batata frita para acompanhar um hambúrguer que já tem o amido do pão e a fritura da carne? Fora essas porcarias, é necessário ainda ingerir um líquido industrializado entupido de açúcar (refri) para o bolo descer? Você precisa mudar sua maneira de pensar com relação a alimentação e encontrar o equilíbrio entre todas as coisas.

E isso não vale apenas para as porcarias, outro exemplo é a quantidade de carne que ingerimos. Eu adorava comer um belo de um bife todo santo dia, no entanto hoje eu percebo que é até incoerente para o nosso corpo esse volume de carne... já pararam para pensar que essa disponibilidade de alimento só aconteceu nos últimos séculos? Caçar não garantia a fartura que temos hoje na mesa, a humanidade se contentou com pouca carne por milhares de séculos, então nada mais coerente que comer carne uma vez ou outra por semana.

5. Conheça os alimentos
Não é possível julgar qual alimento é bom ou ruim sem conhecer um pouco sobre ele. Leia a composição dos alimentos, verifique a tabelinha nutricional e aprofunde o seu conhecimento nos grupos alimentares. Assim você vai poder fazer o seu próprio cardápio e encontrar o que funciona melhor para o seu corpo.

Quanto mais você se afastar de alimentos com gordura hidrogenada, muito açúcar, muito sódio ou excessivamente refinados melhor. Exemplos para se evitar: sorvetes, salgadinhos industrializados, biscoitos recheados, guloseimas, frituras, molhos prontos e refrigerantes. Confira a seguir uma comparação entre alguns alimentos do dia a dia:

6. Quando comer?
Ultimamente a ideia de comer a cada 3 horas tem caído pelo ralo e a lógica e a mesma da carne: comida disponível a cada 3 horas é uma situação moderna, a humanidade sobreviveu e se desenvolveu sem isso por milhares de anos. Até tenho lido boas recomendações a respeito do jejum intermitente onde as recomendações mais comuns são compostas por jejuns diários de 16 horas, ou jejuns de 24 horas duas vezes por semana.

Antes de se jogar em uma recomendação dessas a minha sugestão é conhecer o seu próprio corpo. Você se força a comer em horários predeterminados ou espera a fome aparecer? Dê uma chance ao seu corpo e trate de escutá-lo. Conheço gente que faz uma refeição por dia e gente que faz cinco, qual será o melhor para você?

7. Beba água
Não é por acaso que se ouve isso em todo lugar, água é muito importante para a vida. Um corpo hidratado de forma adequada ajuda a liberar substancias ruins à saúde. O recomendado é beber 2 litros de água por dia, vale lembrar que muitos alimentos possuem água na composição então você não precisa virar um jarro de 2l uma vez por dia. E evite líquidos como o refrigerante, se trata de uma composição cheia de açúcar e aromatizantes que não trás nenhum benefício para você.

8. Pratique exercícios
Essa recomendação não é obrigatória, mas ajuda muito! A atividade física aliada à Reeducação Alimentar te ajudará muito a incrementar a sua qualidade de vida. Nesses 5 anos de reeducação eu passei uns 3 sem fazer exercícios e nesse período eu tinha que comer muito menos do que eu posso comer hoje em dia praticando pole dance 3 vezes por semana, então se você gosta de comer pense no exercício como um "vale comilança"!

9. Acompanhamento especializado
Como eu venho brigando com a balança a muito tempo acabei juntando conhecimento a respeito dos alimentos e das dietas e isso facilitou a minha mudança de comportamento. Se você está começando agora a se preocupar com isso, busque ajuda de um especialista pois ela será bem vinda! Agende uma visita ao nutricionista e explique a situação, assim ele poderá analisar o que você faz, quanto o seu corpo gasta e quanto é o ideal para você ingerir.

Bom, o texto foi longo e tenho certeza que ele não tratou todas as nuances do assunto. Reeducação alimentar é uma mudança de atitude e buscar informações é o primeiro passo. Espero que esse post tenha ajudado a despertar a vontade de mudar em você!
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