| Vi Oliver |
Existe uma pergunta que talvez pareça estranha para boa parte dos homens: como é a sensação de se sentir bonito?
Não estou falando apenas de olhar no espelho e gostar da própria aparência. Estou falando de algo mais específico: vestir uma roupa que valoriza o corpo, arrumar o cabelo, se maquiar, escolher uma lingerie, observar o resultado e imaginar que alguém poderia olhar para você e pensar que você é bonita. Mais do que isso, imaginar que alguém poderia desejar você.
Para muitas mulheres, essa experiência faz parte de uma realidade cotidiana que começa muito cedo. Desde a adolescência, elas aprendem a observar a própria aparência, recebem elogios relacionados à beleza, experimentam roupas para descobrir o que valoriza seu corpo e, ao longo da vida, percebem que sua aparência influencia a maneira como outras pessoas as enxergam.
Homens, por outro lado, costumam receber uma educação bastante diferente. Desde cedo aprendemos que nossa aparência não deveria ser uma preocupação tão importante. O homem deve ser forte, competente, bem-sucedido, seguro e capaz de resolver problemas. Pode até ser bonito, evidentemente, mas a beleza masculina raramente é apresentada como uma das principais formas pelas quais um homem deve construir sua autoestima.
Talvez seja justamente por isso que alguns homens crossdressers descrevam uma sensação tão intensa quando experimentam a feminilidade.
Pela primeira vez na vida, não estão apenas tentando parecer adequados.
Estão tentando parecer bonitos.
Simplesmente bonitos.
E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.
A experiência de ser desejado
Imagine passar grande parte da vida acreditando que sua função é ser aquele que deseja, e não necessariamente aquele que é desejado.
Essa distinção pode parecer pequena, mas talvez não seja.



