Traduzido de Miri
O que quer que isso signifique para nós hoje pode muito bem evoluir amanhã.
Minha história pessoal: eu fui de
Uma infância simples pegando escondido as roupas da minha irmã (e levando um tapa na minha mão – duro na forma de vergonha violenta)... para
Curiosidade sexual secreta fetichista com uma preciosa peça de lingerie... para
Questionando se eu era gay (não, bissexual)... para
Tendo certeza de que não havia nenhuma razão inerente de que eu não pudesse desfrutar dessas coisas femininas, mesmo tendo nascido homem. Mas tinha que ser um segredo. Todos sabiam que algo terrível aconteceria se os meninos se permitissem ser como meninas... para
Lutando para me comunicar com as parceiras sobre as minhas necessidades (que foram enterradas tão profundamente que eu nem às entendi) e encontrar algum tipo de compromisso aceitável no qual eu pudesse realmente me travestir, mantendo meu status de homem comum... para
Perceber estava tudo bem eu querer ter uma expressão mais feminina do que as outras pessoas pareciam querer... para
Descobrindo também que minha companheira realmente não conseguia lidar tão facilmente ao me ver como transgênero... para
Abraçando o estilo "não pergunte, não conte" de me vestir no armário e sair ocasionalmente... para
Descobrindo que cada hora que eu passava travestido é, na verdade, uma hora para lembrar quem eu sou, e esse entendimento me anima de maneiras que eu não posso mais me afastar... para
Eventualmente notando mais detalhes – que eu queria corpetes justos em meus vestidos como minha maneira de ser abraçado; que anseio por saias largas e caneladas – uma expressão metafórica do meu desejo de sentir como parte do meu corpo uma pélvis expansiva e acolhedora; que um vestido longo esvoaçante ou uma saia curta esportiva e uma blusa transparente contam um enredo que não estava disponível para mim como homem. Estampas interessantes, combinações de cores, tecidos finos, transparências, eram todas metáforas para privilégios femininos (sim, do meu ponto de vista desinformado do lado de fora isso é um privilégio) e outras áreas da experiência feminina, mas... ainda, uma luta interna constante com o problema de permanecer em uma expressão "aceitável"... para
Abraçando totalmente o crossdressing como um prazer maravilhoso, e adquirindo todo e qualquer tipo de roupa que eu queria... para
Descobrindo que, quando finalmente me sinto livre, estou me curando. Eu gosto da minha posição no mundo das "mulheres" e sinto cada vez mais claramente os aspectos dourados da sina do vestuário feminino. Um vestido maravilhoso não é mais um objeto encantado cujo feitiço me transforma em princesa, mas algo que precisa ser lavado a seco e amassa muito quando me sento. É mais um aborrecimento do que uma excitação ter que ter cuidado com os espectadores próximos enquanto subo as escadas do trem ou cruzo as pernas quando estou sentado em um café. Um vestido pode ser uma expressão artística maravilhosa, mas requer uma certa responsabilidade – fazer uma imagem satisfatória de mim mesma com barba e sapatos coordenados e... por fim
Eu persisti. Eu deixei meu crossdressing falar comigo. Deixo cada peça de roupa que desejei tornar-se palavras sobre mim, e então deixo que a verdade dessas palavras faça seu trabalho e se manifeste em meu senso interno do meu ego.
Desde que eu saí do armário o objetivo do meu crossdressing ficou mais claro. "Eu quero isso" levou a "Eu quero me vestir assim" para "Eu quero ser assim" e agora finalmente para "Ah meu deus, eu sou isso!", e então... Paz.
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| Miri, autora do texto |





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