quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Excitação sexual em crossdressers e transgêneros

Esse é um tema tão complicado que eu já comecei a escrever diversos artigos a respeito e sempre acabo empacando no meio do caminho. Recentemente, enquanto eu fazia as minhas pesquisas, me deparei com esse texto de 2013 da Dana Jennett Bevan, uma mulher trans americana, pesquisadora com PhD em Psicologia pela Universidade de Princeton e autora de livros com temática relacionada a transgêneros, e achei interessante traduzir para vocês, confiram:

Adaptado de TG Forum

Nós nos empenhamos no comportamento transgênero porque ficamos sexualmente excitados por praticar crossdressing?
Afinal, o que sabemos sobre a excitação sexual?
Se fazemos isso apenas pela sensação da excitação sexual, por que em muitos casos o sentimento confuso sobre próprio o gênero continua quando a excitação se desvanece?
Alias, o que acontece com a excitação caso o indivíduo opte pela cirurgia de redesignação sexual?

Os detalhes mais importantes sobre a ciência da excitação sexual é que ela é assimilada principalmente na fase da adolescência e no início da fase adulta e segue as leis do Condicionamento Clássico, também conhecido como condicionamento pavloviano. Quando éramos adolescentes cheios de hormônios sexuais que alteravam e sensibilizavam nossos órgãos genitais e seios, quase qualquer estímulo sensorial desencadeava excitação sexual, essa sensação era ainda mais intensa quando se tratava de uma paquera. Gradualmente esta excitação por estímulos acaba se pareando com os estímulos associados àqueles com quem fomos atraídos e a assimilação de respostas continua com masturbação e sonhos noturnos.

Para os homens heterossexuais a experiência de estímulos socialmente femininos, como roupas, maquiagens e comportamento feminino, se torna erótica. Para as mulheres heterossexuais a experiência de estímulos socialmente masculinos, como músculos volumosos, cheiros masculinos e comportamento masculino, se torna excitante. No caso de homossexuais o condicionamento a estímulos do mesmo sexo também pode ser associado nessa idade.

Muitos transgêneros experimentaram esse condicionamento, portanto não é de surpreender que, quando iniciaram a prática do crossdressing, se sentiram sexualmente excitados por causa do contato íntimo com as roupas e acessórios do gênero de preferência afetiva/sexual. Não há dúvida de que a excitação sexual pode ser inicialmente motivadora para o comportamento transgênero, mas as conexões que criam a excitação sexual também precisam obedecer às outras leis do Condicionamento Clássico.

Os princípios do condicionamento pavloviano também nos dizem que essas ligações de estímulo e resposta podem se enfraquecer ou se extinguir com o tempo. Com a exposição contínua, os estímulos tendem a diminuir a intensidade da excitação sexual. Inclusive às vezes vemos crossdressers e transgêneros explorando uma variedade de roupas e trajes justamente para poder evocar a excitação.

Deste modo o comportamento transgênero contínuo seria ideal para a extinção da assimilação da excitação sexual porque expõe a múltiplos estímulos ao mesmo tempo. De fato, para reduzir medos ou fobias adquiridas, alguns terapeutas recorrem a “imersão de dessensibilização” na qual expõem o paciente a múltiplos estímulos de uma só vez enquanto o paciente pratica técnicas de relaxamento. Esse método também é usado para tratar estresse pós-traumático permitindo que os pacientes experimentem experiências na realidade virtual enquanto praticam o relaxamento. Por exemplo, um ex-soldado pode experimentar imagens, sons e até mesmo cheiros do centro de Bagdá enquanto se encontra em um estado controlado de relaxamento.

A excitação sexual pelo crossdressing pode não se extinguir completamente, mas deve haver outras motivações para persistir. Isso é especialmente verdadeiro por conta da rejeição cultural do crossdressing e/ou do estresse de manter essa outra vida em segredo. Esse argumento foi proferido por Virginia Prince (1912-2009) em seus estudos sobre transgêneros (Observação: ela foi uma ativista transgênero americana que fundou a revista Transvestia nos anos 60 e começou a Society for the Second Self em 1976, um grupo exclusivo para travestis heterossexuais).

Então o que acontece com transgêneros que realizam a cirurgia de redesignação sexual?
O que acontece com seu comportamento sexual e sua presumível excitação sexual?

Pelo menos para o caso de mulheres trans, aproximadamente 50% são atraídas por homens, enquanto 30% são atraídas por mulheres e o resto tende a ser assexual. Muitas já se sentiam atraídas apenas por homens antes da cirurgia, outras buscaram modificar seu comportamento sexual para se adequar ao socialmente aceitável. Até existem alguns estudos que medem a excitação sexual no pós-operatório de redesignação sexual, mas tais estudos não são muito confiáveis. Melhores respostas serão obtidas usando a ressonância magnética no futuro, uma vez que é conhecido que existem diferenças entre homens e mulheres na resposta do cérebro à apresentação de estímulos geralmente excitantes.

Portanto o ponto principal da excitação sexual é que no início da nossa jornada ela está presente e, sem dúvida, é motivadora. No entanto à medida que adquirimos mais experiência, a emoção da excitação sexual diminui e continuamos com o comportamento transgênero porque preferimos buscar atitudes congruentes com nossa predisposição biológica de gênero.
3 Comentário(s)
Comentário(s)

3 comentários:

Carmelita Sissy Maid disse...

Representa exatamente como me sinto hoje. Alguns anos atrás me montava, me masturbava e desmontava.
Hoje em dia ja fico montada e faço a limpeza da casa, por exemplo, enquanto minha esposa faz um passeio com nossos filhos.
Ou enquanto costuro novas roupas, as vezes também consigo fazer isso montada.
Ou seja, não é somente para prazer sexual que me monto hoje.

Anônimo disse...

Publica a fonte para nós!

Samantha Oliver disse...

Anônimo, a fonte está indicada antes do texto na linha "Adaptado de TG Forum". De qualquer modo segue novamente: https://tgforum.com/wordpress/sexual-arousal-and-tstg