segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Eu e a hormonização, sem acordo

Com uma certa frequência pessoas vem me falar que eu deveria iniciar um tratamento hormonal. Já ouvi isso de crossdresser, de mulher trans, de mulher cis, de homem cis, enfim, de todo tipo de gente. E é tanta pressão que parece que é algum tipo de passo obrigatório na feminização. Será isso mesmo?

Pra não falar que eu nunca tomei hormônio, quando eu tinha uns vinte e poucos anos e senti que meus cabelos estavam caindo em ritmo acelerado eu decidi ir num dermatologista para começar um tratamento com o famoso Finasterida, um medicamento antiandrógeno inibidor da enzima 5-alfarredutase. Saí da consulta, comprei remédio para uns três meses, usei durante um mês e parei. Fora isso, nunca tomei.

Sei que o que vou escrever a seguir pode não agradar a todos, mas quero apresentar os motivos pelo qual eu decidi evitar esse tipo de tratamento.

Vamos lá. Primeiramente entendo que medicamento é um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática (prevenção), curativa, paliativa (meios ou métodos que trazem melhoras, mas não eliminam a causa) ou para fins de diagnóstico. Tenho certeza que os medicamentos desenvolvidos na indústria farmacêutica contribuíram e ainda contribuem diariamente para a melhora da saúde da população mundial.

Eu, pessoalmente, recorro ao uso de medicamentos somente quando é necessário e receitado por um médico. Foram poucos os tratamentos prolongados com medicamentos que fiz, lembro de um para o coração na adolescência e outro, recentemente, para problemas de gastrite (ando meio estressada).

Então para mim, tomar remédio para a calvície ou começar uma terapia hormonal significa passar o resto da vida dependendo de um remédio, uma substância sintética que tem um custo e me deixa dependente da indústria farmacêutica, e que vai alterar o fluxo natural dos hormônios no meu corpo para gerar um resultado paliativo principalmente visual que me dê mais autoestima e, consequentemente, qualidade de vida.

Claro que eu sonho em ter aquela pele sedosa, sem pelos crescendo adoidado e com a gordura melhor distribuída pelo corpo gerando curvas encantadoras e um aspecto mais feminino, bem como se vê nos resultados apresentados naquelas lindas fotos de antes e depois. Entretanto, tem alguns efeitos que não me agradam, como:
- A libido pode diminuir ou desaparecer por um certo período;
- O tamanho do pênis, testículos e próstata podem ser ligeiramente reduzidos;
- Algumas meninas não conseguirão mais ter ereções e orgasmos ou terão dificuldade em consegui-los;
- Maiores chances de ocorrer trombose, trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar (bloqueio de um vaso sanguíneo nos pulmões), alteração da função hepática, Acidente Vascular Cerebral (AVC), Infarto Agudo do Miocárdio e eventos cardiovasculares;
- Aumento ou perda de peso;
- A queda da testosterona no corpo causará alterações de humor, geralmente as meninas ficam mais deprimidas.

Tem também outra questão que me incomoda, o quanto eu preciso forçar o meu corpo a mudar para que me vejam como mulher? Eu mesma sei que não sou passável (odeio esse termo) e nem é algo que eu busque pois se não é o corpo será o pênis, se não o pênis será a voz, se não o pomo de adão, se não o peito, se não o ombro, se não a altura, se não o cabelo, se não o cromossomo, se não o sei lá o que. Então não busco ser passável e tenho estado feliz com o meu corpo de Homem Feminino.

Desta forma quando eu avaliei os prós e contras da hormonização preferi não aderir. Pode ser que os medicamentos evoluam assim como pode ser que eu mude de ideia , mas no momento a minha posição pessoal é de não iniciar tratamento hormonal da mesma forma como não planejo fazer cirurgias plásticas.

Como não uso hormônios, o que tenho tenho feito é aceitar o meu corpo do jeito que ele é e, ao mesmo tempo, cuido muito bem dele com alimentação regrada, sem sedentarismo e com alguns detalhes que eu costumo postar aqui no blog. Hoje eu posso estar com um corpo bonito, mas demorou alguns anos para chegar nesse resultado e eu tenho estado muito feliz dessa maneira sem a necessidade de estar tomando nada. Confiram um antes e depois (sem hormonização):


Fotos de 2010, 2012 e de 2016, acho que dá pra ver um pouco de diferença, né?

Para finalizar, recentemente a minha esposa tem se questionado a respeito de continuar tomando anticoncepcionais (que também são hormônios) e pretende mudar o método contraceptivo para um que não dependa de medicamento. Isso poderá ser um pouco chato para a gente como casal por que o cuidado deverá ser maior, porém entendi perfeitamente a posição dela e super apoiei!

Para quem pretende começar com a hormonização, friso na questão do acompanhamento médico. Esses remédios são pesados e necessitam de exames com uma certa frequência então, por favor, lembrem-se do endocrinologista!
1 Comentário(s)
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Um comentário:

eliane baxinha disse...

Amei bjsssssssssss