sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Crossdresser, será que sou isso mesmo?


Não sei se já repararam, mas é muito difícil aparecer o termo "crossdresser" aqui no blog O Homem Feminino. Fiz esse post falando sobre o termo e, a grosso modo, tudo se resume ao ato de usar itens de vestuário e/ou outros acessórios comumente associados ao sexo oposto dentro de uma determinada sociedade.

Ok, eu uso vestuários e/ou acessórios que são associados ao sexo feminino aqui no Brasil e isso já me coloca dentro do grande guarda-chuvas que é o crossdressing, mas esse termo não representa bem o que eu sou pois a Samantha não é apenas o Victor usando roupas femininas, a Samantha se comporta de maneira diferente e até sente de maneira diferente, então por que resumir tudo à roupas?

Outra coisa, qual é o problema do termo "travesti"? O primeiro significado de travesti que aparece no Dicionário Aurélio é "disfarce sob o traje de outro sexo", isso não é a mesma coisa que crossdresser? Eu vejo que aqui no Brasil as pessoas associam automaticamente travesti com prostituição e parece que crossdresser entrou para se diferenciar, mas no fundo somos todas iguais! Eu mesma as vezes falo que sou travesti por que fica mais fácil dos outros entenderem.

No entanto, desde que comecei a pesquisar sobre identidade de gênero e gêneros não binários eu venho me questionando a respeito de ser um crossdresser e, aos poucos, vou lembrando que a Samantha está dentro de mim desde que eu era apenas uma criança. Ultimamente venho pensando até que eu poderia ter sido uma moça trans se eu não tivesse nascido e crescido numa sociedade machista impositora. Alias, o documentário The Mask You Live In fala exatamente sobre isso.

Ao mesmo tempo também afirmo que eu gosto de ser Victor. Eu tive que aprender a "ser homem" por que cresci nessa sociedade machista, mas não vou negar a testosterona que corre nas minhas veias e afirmo que aprendi a gostar de ser homem. Querendo ou não, viver como homem numa sociedade machista tem as suas vantagens e se eu me assumisse trans durante a minha adolescência tenho certeza que não teria a maioria das oportunidades que eu tive no decorrer da minha vida.

Então o que eu sou? Haha, gosto do nome Homem Feminino ♥
Na real, eu não gosto desse monte de definições existentes por que a maioria das pessoas não conhece ou nem ouviu falar então se eu usar eu tenho que explicar, mas olhando para aquele monte de definições me identifiquei muito com o gênero fluido, pois se trata de uma pessoa com facilidade de fluir entre o masculino e feminino, ele e ela, Victor e Samantha.

Quanto a vocês, meninas, como vocês se veem ou como se descrevem?
Já pensaram em trocar o termo crossdresser por travesti?
Ou o lado feminino de vocês é forte a ponto de você se sentir um gênero fluido ou uma transgênero?
5 Comentário(s)
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5 comentários:

Enya Carol Cross disse...

Samantha, me sinto igual a vc, gosto de ser homem mas tambem gosto de ser a Enya carol, uma crossdresser assumida e que ama o mundo feminino e tudo que ele proporciona.. mas sabe como e, se assumir realmente e para poucas.. e morro de inveja das que conseguem... nossa vida profissional seria muito afetada e conviver na nossa sociedade uma tarefa impossivel devido aos rotulos que receberiamos,.. bjs

Sarah Helen Crossdresser disse...

Eu penso que todos esses termos são genéricos demais para descrever cada pessoa, no entanto servem para descrever algo importante. Dependendo da forma que se entende cada termo, sou crossdresser, travesti e transsexual ou nada disso. Para mim, travesti é o termo mais amplo (e mais apropriado) para descrever quem adota comportamento e vestimenta considerados do sexo biológico oposto ao seu. CD é quem faz isso fora da vida cotidiana e transexual é a para quem rejeita totalmente o seu gênero cis. O perigo do rótulo é fazer a gente se questionar se "somos isso de verdade" ou quando alguém quer ditar regras como "para ser transexual, tem que cortar o bilau!", "se não se monta no dia-a-dia, não é travesti", "não sou travesti porque gosto de mulher". Acho que esse tipo de pensamento só leva a mais sofrimento e menos verdade.
No meu caso, tento me deixar livre para ser eu mesma sem me preocupar em me enquadrar a esses rótulos, apesar de me identificar como travesti ou crossdresser. Talvez eu não seja transexual porque, diferente de muitas e sem desmerecer o que cada uma sente, eu não queria ter nascido mulher nem nada do tipo, mas apenas exercer a minha feminilidade natural. No meu mundo ideal eu seria exatamente como sou, mas podendo usar roupas consideradas femininas, brincos, pintar as unhas, fazer o cabelo e falar fino sem que isso fosse um problema. Meu objetivo é fazer o que posso para mudar o mundo cada vez mais para que no futuro seja assim!

Anônimo disse...

Olá Meninas. Minha interpretação sobre o assunto é muito semelhante. Temos quase a mesma história, acho q muitas tb. Eu a pouco tempo resolvi encarar e assumir este meu lado feminino que é tão forte dentro de mim. Estudei muito sobre o assunto, até pra me entender; este maravilhoso blog me ajudou muito e alguns conselhos tb. Sou casada, eu e minha esposa estamos aprendendo a lidar com esta nova situação. Um grande beijo a todas.

quincas disse...

que bacana a entrevista, gostei muito.

Anônimo disse...

Oi Babies, eu adoro me vestir como mulher me sentir mulher, adoro olhar o meu corpo, minhas pernas que são femininas desde criança.
Nós somos sim travestis, trans pois tudo se relaciona a mesma coisa.
Notem uma coisa, a gente sente muita tezão, e esta é uma característica notável de uma crossdresser.
Eu sinto muita atração por travestis CDs e mulher, não sinto atração por o ser masculino macho e acredite ser CD é isto.
Valeu queridas.