quarta-feira, 27 de abril de 2016

Entrevista com Sra. Oliver, esposa de crossdresser

Sempre bati a cabeça para pensar numa maneira de ajudar as amigas casadas que não conseguem abertura para o seu lado feminino dentro de casa. Recentemente tive a ideia de montar umas perguntas e passar para a minha esposa responder, ela até respondeu sem eu estar por perto para não influenciar nas repostas!

Espero que gostem da entrevista com a Sra. Oliver.

Como foi quando você descobriu que seu marido era crossdresser?
Quando descobri que meu marido era crossdresser primeiro levei um susto, confesso que não sabia direito o que pensar, mas eu tbm n conhecia muito a respeito. Nunca tive atração por homem com roupas femininas, mas ok, decidi que iria aprender com ele sobre o assunto e tentar ser o mais aberta possível.

O que você sabia sobe crossdressing na época?
Na época não sabia absolutamente nada, tinha medo inclusive que ele fosse virar trans... hehehehe, esse medo passou!

O que você sabe hoje?
Com a ajuda dele aprendi muitas coisas, sei que a orientação sexual independe dos fetiches ou roupas que a pessoa usa, mas percebi também que nada disso importa, que devemos fazer o que nos faz bem independente do que a sociedade diz.
Se um homem quer se vestir de mulher, pq não?

Como foi que isso influenciou o relacionamento?
Não vou dizer que essa descoberta e a evolução disso não tenha abalado um pouco o relacionamento. Claro, fiquei insegura, fiquei com mil medos, me senti triste, me senti menos mulher.....(poxa, mexe com a nossa cabeça ver seu marido virando uma mulher linda que tem um corpo lindo e anda melhor de salto que eu hahahaha)
Mas, percebi que meu maior inimigo não era ele ser crossdresser, mas eu mesma e meus preconceitos e julgamentos. Quando percebi isso comecei a deixar fluir mais. Não digo que agora está tudo 100%  na minha cabeça, mas um dia chego lá!

O que você nota de diferente quando seu marido se transforma?
A principal mudança é a atitude, fica mais feminina. O olhar muda, o toque muda. A essência masculina ainda está ali, mas o lado feminino assume o controle. É uma forma de expressão muito bonita.
Eu amo meu marido o acho lindo, seja na versão masculina ou feminina!

Alguma mensagem para as esposas de maridos crossdressers?
Mulheres, deixem o amor falar mais alto, sempre!
Se você ama alguém, deixe a pessoa ser quem é, livremente!
É difícil, exige desapego, exige se desfazer de um monte de crenças que vc aprendeu durante a vida, mas é um caminho de aprendizado! Aprender a olhar o outro, aprender a olhar a si mesma.
No fim, tudo é Amor....

Sra. e Sr(a) Oliver
Alias, lembram no post Conhecendo as amigas que eu falei que queria ir num shopping jantar e fazer compras? Então, missão cumprida! Num próximo post eu falo como foi...

Gostou da entrevista? Faltou alguma pergunta? Aproveite e me avise nos comentários, quem sabe ela responda a sua pergunta também!
22 Comentário(s)
Comentário(s)

22 comentários:

Katia Minna disse...

Parabens para sua esposa!! Poxa queria arrumar alguém com uma mente aberta como ela!! xD

Que bom que você encontrou, acho que se todas as esposas do mundo tivessem o mesmo pensamento que ela o mundo seria um lugar mais "aturavel" para os crossdressers

Anônimo disse...

Parabéns para ambas! Muito legal essa compreensão mútua!! Muito bacana!
Bj,

Patty Nandez

Mel Mel disse...

U-A-U!!!!
Simplesmente amei.
Ser CD por completa e sair nas ruas já é um grande passo... a esposa reconhecer e aceitar então, tudo de bom (até aí me encontro na mesma situação), mas sair jantar com a esposa, e está ainda fazer uma entrevista e postar foto juntos, é outro nível...
Parabéns as duas... show de bola... amei.
p.s. Vamos marcar algo com nós 4 qualquer dia heim... :)

Samantha Oliver disse...

Não só para os crossdressers, quando ela fala que "devemos fazer o que nos faz bem independente do que a sociedade diz" serve para qualquer maneira de ser diferente do comum!
Existem mais como ela e espero muito que você encontre uma ;)

Samantha Oliver disse...

Falou tudo, é um compreensão mútua!
Não depende só dela me aceitar, eu tive que saber lidar com os sentimentos dela e também aceito as "esquisitices" dela =D

Samantha Oliver disse...

Obrigada, Mel!
Até tenho um pouco de receio em postar essa foto com ela, mas é por um bem maior então seja o que for...
Vamos marcar sim, sei que vai ser divertido e proveitoso!
Quem sabe a gente não sai um pouco de casa?

Ediney Fabiani Raubach disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Samantha Oliver disse...

Sempre fico feliz em saber de casais felizes!
Posso falar que a experiencia de sair foi muito boa e acho que até para a minha mulher. Quantas esposas podem falar que o marido aguenta ficar 3 horas dentro da mesma loja vendo roupas com ela? =D

vanessa souza crossdress disse...

Bela entrevista, isso com certeza reforça mais ainda a nossa independência, e afasta o fantasma do medo. Que afeta as esposas e tambem meninas q gostaria de contar para suas respectivas companheiras. Pois é algo delicado mais nao impossivel de ser comentado pelo casal sou casada minha esposa compartilha comigo, minhas saídas baladas enfim gostamos de estar juntas e soi feliz junto de minha esposa. Portanto so tenho que parabenizar a atitude do casal para q isso reflita mais e mais la na frente afastando o preconceito. "Ser livre nos mostra a nossa capacidade de agir pois a sua roupa e seu genero nao indifere em seu carater".
Bjs Vanessa Souza.

Samantha Oliver disse...

Mais um casal feliz, que ótimo!
Me sinto meio exposta com esse post, mas saber que posso ajudar algumas amigas e suas companheiras é um incentivo e tanto.
Agradeço pelo comentário, amiga!

valdelania oliveira disse...

A vida com cumplicidade acompanhada com a verdade tudo fica mais leve.

Unknown disse...

Lindo, adorei :-) Sou Inês Botto e sou CD, e sei bem como essa realidade do casal é muito importante para ambos, tudo muda e se for bem decidido entre ambos, a vida pode correr muito melhor. O amor acima de tudo, o preconceito é apenas um bloqueador de felicidade. Beijos

Samantha Oliver disse...

Falou tudo =D

Samantha Oliver disse...

"Preconceito é apenas um bloqueador de felicidade" faz muito sentido, adorei isso!

Sandra Lopes disse...

Também tenho o privilégio de ter uma mulher que me aceita como crossdresser (mesmo que não seja algo pelo qual esteja muito entusiasmada — dessa forma, sendo muito parecida com a Srª Oliver :) ). Ela sabe que nada posso fazer a esse respeito, nasci assim com esta predisposição de ser crossdresser, não posso mudar, posso apenas reprimir — e a minha mulher, felizmente, entende isso muito bem, e dá-me uma certa liberdade de movimentos.

Também é frequente ir buscá-la à universidade, comigo vestida de mulher; e já saímos as duas juntas para um bar, onde fomos ter com amigas. São situações ainda um pouco raras (a minha mulher também trabalha imenso e tem pouca oportunidade para saír!) mas vão acontecendo aos poucos.

Sei que infelizmente muitas, mas mesmo muitas, crossdressers não podem dizer o mesmo. Mas a verdade é que em muitos casos o que é mesmo difícil é ultrapassar a barreira inicial do medo e do receio quando contamos; e depois haverá naturalmente uma fase de incompreensão, de confusão, mas uma vez que a nossa mulher perceba que o crossdressing nada tem a ver com ela, que não somos subitamente outras pessoas, ou que desejamos outro tipo de companheir@s, então é provável que nos aceite tal como somos. E isto será cada vez mais verdade, à medida que mais e mais pessoas contem as suas experiências publicamente :)

Um beijinho grande de felicidades ao casal Oliver, deste lado do Atlântico!

Samantha Oliver disse...

Sandra, fico feliz em saber a sua história!

Isso me faz sentir vontade de sair com frequência como Samantha e também ajuda com os meus medos, sem contar as pessoas que passam por aqui e percebem que esse tipo de casal realmente existe e está entre nós.

Um beijo para você e para a sua esposa, devo dizer que gostei muito de saber que esse post chegou longe =D

Kelly Cristina xd disse...

Samantha, boa noite, é a Kelly a (Kcris do fórum), a mesma crossdresser que transicionou, em busca da felicidade. Me emocionei a horrores ao ler esta entrevista que, graças a Stefanny Emyan pude ler. Confesso a você que, mesmo quase um ano depois de eu ter adotado o gênero feminino, ainda sinto um certo bloqueio em sair de mulher às ruas. Medo este que é intensificado quando há pessoas insipientes (não sabedoras), querem julgar-nos pelo "conhecimento inéspito", a poder deixar-nos ser nós mesmas. Fico triste, por, agora, na condição de Kelly, não poder ter alguém, lá atrás, ter me ajudado a caminhar como Kelly. A necessidade de felicidade, sentir-se bem consigo mesma, desejo de ser desejada, sonho de menina, fala mais alto, a ponto de enfrentar a própria morte, dando a cara a tapa, em uma sociedade machista. Mas, quero te dar os parabéns, pela sua esposa. Muito obrigada.

Vilma Soares Manhaes disse...

Oi, sou vilma Soares Manhaes. Tambem sou cross desde os meus 8 anos, quando descobri que gostava e gosto muito de me vestir de mulher. Me sinto muito bem quando estou vestida e me tira do stress.Infelismente passei pelo 1 casamento em parte por isso. Estou no segundo e minha esposa aceitava no inicio, me viu até costurando saias e vestido. Gosto de costurar. Mas, ela não conseguiu aceitar mais embora me de a liberdade de estar onde consigo me montar. Não me pergunta, mas, acho que no fundo sabe que me monto quando tenho chance.Mas, sou um homem que gosta muito de fazer coisas, criar, consertar, apaixonado por ferramentas e futebol. Mas, com a sensibilidade de uma Vilma. Obrigada. Há gostei das dicas de maquiagem, tenho uma barba grossa tambem e gosteira de fazer tratamento a laser, pois detesto pelos. Grande abraço e para bens para sua esposa. Se a minha me aceitasse mais, não precisaria ficar tão só as vezes no mundo cross!

Feiticeira Scarlat disse...

Olá, sei que é uma decisão muito difícil de se assumir crossdresser com uma sociedade preconceituosa. Sou casada e meu marido é crossdresser e não está sendo fácil passar por essa fase, ele se mostrou CD recentemente e estou em choque, me sentindo sozinha. Isso não fez com que eu deixasse de amá-lo, mas é meio doloroso. Mesmo a dificuldade da aceitação e da compreensão eu aceitei esse lado dele, ainda não me dei bem com o fato de ele comprar roupas feminina, e eu descordo quando vc Srª. Oliver diz que é só deixar o amor fluir que tá tudo bem, pq não é verdade, pq muitas das vezes a mulher vai ter que abrir mão do que ela é pra ficar com uma Cd por deixar o amor falar mais alto, como vc mesma disse, "olhar pro outro e olhar pra si mesma" e perceber que eu não lido bem com a situação, o que eu devo fazer? Aceitar meu marido CD ou terminar o meu casamento mesmo amando o homem com quem eu me casei?O que quero dizer com isso é que nem sempre essa filosofia funciona quando se trata de pessoas.
Mas de qualquer forma agradeço pelo espaço.

Samantha Oliver disse...

Natasha, por que você se sentiu sozinha quando ele se abriu para você? Eu passei a vida toda me sentindo sozinha por que eu passei a vida toda escondendo a Samantha de tudo e de todos, isso me fez muito solitária. No momento que a minha esposa me aceitou e começou a me incentivar eu ganhei uma felicidade única na minha vida pois pude externalizar algo que ficou escondido por muitos e muitos anos dentro de mim.

Creio que seu marido te ama muito para poder se abrir para você. Nós temos muito medo de tudo e de todos e muitas meninas escondem das esposas essa outra vida por conta desse medo. Não digo que você precisa aceitá-lo assim, mas saiba que ser crossdresser não bem uma opção para nós.

Se você ama seu marido, volto a dizer para conversar com ele e tentar entendê-lo. Eu e a minha esposa ganhamos muita sinergia quando começamos a compartilhar esses momentos, ela é uma das poucas amigas da Samantha e sou muito grata por isso.

Qualquer coisa me manda um e-mail no samanthactba@gmail.com ou me add no Facebook.

Carla disse...

Olá, estou passando pela mesma coisa e sinceramente está sendo muito difícil pra mim. Amo muito meu marido mas confesso que ao vê-lo montado ainda me chatea, estou tentando lidar com isso mas não é fácil

Anônimo disse...

Samantha, adorei a entrevista com a tua esposa, também sou corssdresser, nem me lembro a quanto tempo me monto, acho que desde muito criança, me lembro de usar as camisolas da minha mãe quando estava sozinha em casa, me lembro da sensação do tecido bem leve tocando em minha pele,bom rsrs, durante minha adolescência me montava muito, sempre que estava só em casa eu me montava, mais ai a gente cresce se casa e as coisas mudam um pouco né, rsrs. maus já não aguento mais reprimir este sentimento dentro de mim, sou casado a 5 anos e temos um lindo filho de 2 anos, tenho muita vontade de poder contar para minha mulher mais morro de medo de perder a coisa que mais amo neste vida que é minha família. sou de sp mais moro em Curitiba a 2 anos, adoraria poder conversar com alguém sabe, sei la apenas poder botar pra fora tudo que sinto. obrigado pelo seu blog, é de muita ajuda para as cross, e amei a entrevista com sua esposa, ela é uma mulher incrível. grande bjs gata.

Segue meu email gata, adoraria podermos manter contato: blpez2008@hotmail.com