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| Vi Oliver |
Meu dia começa cedo, como qualquer engenheiro. O som do despertador me lembra que há uma obra para fiscalizar, planilhas para conferir, reuniões para participar. No escritório, sou aquele homem metódico, direto e prático. O tipo de colega que entrega resultados e não desperdiça palavras. Tenho amigos homens, alguns ex-colegas de faculdade, outros colegas de profissão, e já passei por relacionamentos sérios, até fui casado.
Mas há outra vida. Uma vida que começa quando fecho a porta do meu apartamento, ligo o computador e entro em meu espaço virtual. Ali, não sou apenas eu: sou como uma mulher que gosta de se expressar com sensualidade, de explorar roupas, maquiagem, unhas pintadas, penteados. Uma mulher cujo corpo eu treino e cuido de maneira meticulosa: pernas e glúteos trabalhados na academia, corpo depilado, pele bem tratada, laser no rosto. Cada detalhe é pensado, cada gesto estudado. A sensualidade é calculada, mas também é libertadora.
E é aí que o contraste se instala, e esse contraste me assusta. Enquanto no mundo físico devo ser prático e contido, no mundo online posso explorar quem quero ser: cruzar as pernas de maneira elegante usando uma meia fina, ajustar a postura, mover os ombros com graça sutil. Cada foto, cada vídeo, cada interação digital é uma extensão de algo que nunca posso mostrar no canteiro.






