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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Crossdressing: um estilo de vida

Nesses 2 anos de blog eu já escrevi muito sobre a temática do crossdressing. Tentei expor todas as variedades do crossdressing, já me questionei a respeito do meu crossdressing, já procurei maneiras de abandonar o crossdressing, também apresentei um artigo específico sobre o fetiche por crossdressing e outro sobre o fetiche por feminização, busquei a pratica do crossdressing feminino no mundo das lésbicas, enfim, procurei até entender por que existe essa distinção de gêneros na moda.

Eu mesma aprendi muito com esses artigos e minha cabeça está bem diferente de setembro 2015, quando postei o primeiro texto aqui! Naquela época eu não saía de casa montada (morria de medo), não depilava o braço para não "deixar tão na cara" e nem falava a respeito disso para ninguém. Hoje, por outro lado, não só depilo o braço como fiz laser no rosto e sempre ando de unhas feitas e pintadas. Ainda não comento para qualquer pessoa a respeito da Samantha, entretanto as pessoas que realmente importam sabem e sair de casa montada já virou rotina!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Transgêneros e a necessidade de modificações corporais

Esse é um tema bastante explorado pela população trans/cross e, assim como existem diversos caminhos para realizar essa modificações, também existem riscos para se obter o corpo desejado. Antes de abordar as modificações em si eu gostaria de falar sobre a necessidade de mudar o corpo.
Em primeiro lugar, se eu tenho disforia de gênero, adaptar o meu corpo a esse gênero é algo obrigatório??
A minha resposta é não.

Entendo que existem dois grandes motivadores para modificação do corpo, um deles, que eu considero o mais importante, é o pessoal e tem relação principalmente com a autoestima enquanto o outro seria relacionado aos fatores externos e no nosso universo eu posso resumir numa palavrinha: passabilidade.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Guevedoces, transexuais biológicos ou crianças andróginas?

Quando pesquisei sobre a história dos transgêneros nas tribos norte-americanas achei muito interessante o fato de algumas culturas tratar as crianças apenas como criança, sem diferenciar as atividades em função do sexo biológico delas e as ensinando desde corte e costura até a caça, assim no ritual de passagem para a vida adulta cada indivíduo estaria apto a decidir por conta própria qual caminho deve seguir.

Recentemente eu tive conhecimento de uma variação genética que faz com que pessoas do sexo masculino desenvolvam o seu aparelho reprodutor somente na puberdade, junto com as características sexuais secundárias, dificultando a percepção do sexo biológico e transformando as crianças em indivíduos andróginos. Essas crianças ficaram conhecidas como guevedoces e foram objeto de estudo na década de 1970.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Homem que curte crossdresser é gay?

Tenho visto esse tipo de questionamento brotando pela internet e fiquei inquieta! E aí, homem que sai com crossdresser (ou travesti, transgênero, transexual, queer... enfim) é considerado heterossexual ou homossexual??
Já encontrei vários homens por aí dizendo que se ela for passável como uma mulher ele não pode ser considerado homossexual, mas será isso mesmo??

Vamos lá, o conceito de orientação sexual, que cada dia que passa eu sinto que não serve para nada, classifica as pessoas com base nos gêneros que elas se sentem atraída, seja física, romântica e/ou emocionalmente. Elas podem ser classificadas como: assexual (nenhum ou raros momentos de atração sexual), bissexual (atração por mais de um gênero), heterossexual (atração pelo gênero oposto), homossexual (atração pelo mesmo gênero) ou pansexual (atração por qualquer gênero).

Essa definição eu retirei da Wikipédia e podemos observar que ela depende exclusivamente do gênero das pessoas envolvidas, aí que entra o grande problema dessa questão.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Pênis e autocontrole: pela racionalidade

No post sobre como esconder o pênis achei interessante observar que várias meninas mantém o tucking direto e tenho pensado que essa prática poderia ajudar no autocontrole de muitos homens no dia a dia. Sei que pode parecer algo contrário ao que se busca na masculinidade, mas ter um controle maior sobre o próprio pênis poderia evitar situações como a da moça que foi constrangida dentro do ônibus com uma gozada no pescoço.
Esse foi apenas um caso de abuso sexual e o nosso país é recordista nesse quesito. Por pior que pareça esse exemplo é apenas a ponta do iceberg no âmbito dos estupros, não precisa procurar muito na internet para encontra casos de horrorizar que envolvam crueldade com meninas, meninos, mulheres e, até mesmo, homens.

Eu sempre me perguntei: o que leva uma pessoa, principalmente os homens, a atacar outra pessoa para se satisfazer sexualmente?

Hoje em dia eu acho que a resposta para isso está na boca das pessoas que culpam a vítima pelo ocorrido. Explico, esse tipo de justificativa é o mesmo que assumir que homens não tem controle sobre o seu próprio pênis e se deixam levar por estímulos sexuais, comportamento similar ao de um animal macho qualquer.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ser um homem feminino não tem nada demais

Quanto eu comecei a pensar em escrever o blog, fui inspirada pela música Masculino e Feminino (1983) do casal Pepeu Gomes e Baby do Brasil (um casal hétero, por sinal) para dar título ao blog. Para quem não conhece:

Olhei tudo que aprendi
E um belo dia eu vi
Que ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino

Pelo que pesquisei, a inspiração para a letra surgiu por que, na época, o Pepeu cuidava das duas filhas novinhas e dos afazeres da casa enquanto a Baby estava envolvida com o trabalho e, se tratando do Brasil de mais de 30 anos atrás, era uma situação absurda. No fim a música foi um sucesso e acabou se tornando um hino de libertação pois a sua letra simples e lúdica questiona o que a nossa cultura machista tenta nos impor diariamente.

Desde que a música foi lançada dá pra dizer que alguma coisa mudou na nossa cultura, mas ser um homem feminino ainda é um grande tabu. E quando digo homem feminino me refiro a qualquer desvio do cisgênero padrão.
E eu pergunto: qual é o problema de ser um homem feminino?

Para alguns isso parece uma afronta por tratar de rebaixar um homem ao nível de uma mulher, uma visão ridícula que menospreza o sexo feminino. Para uns egoístas parece que fazemos isso exclusivamente para tentar enganá-los, como se fosse algum mérito conquistar um macho. Para outros isso vai contra a natureza do ser humano, eles só não percebem que a nossa racionalidade nos abriu as portas para muito além de nascer, crescer, procriar e morrer, ou será que bater ponto e prover dinheiro para a família sempre fez parte da natureza do homem?

Pessoalmente não consigo enxergar nenhum problema. Vivo seguindo as leis da nossa sociedade, meu caráter é respeitado pelas pessoas a minha volta, não ofendo ninguém com o que faço e, de quebra, contribuo muito com a economia (já pensaram o quanto não movimentamos no mercado da moda e da beleza?). Talvez por isso hoje eu consigo vivenciar esse meu lado feminino sem nenhum sentimento de culpa.

Então se você tem esse lado feminino dentro de você, ou qualquer lado "fora do normal", não se sinta pressionado a ser alguém diferente. As nossas liberdades individuais precisam ser asseguradas e estar bem consigo mesmo deve vir antes de qualquer coisa, sem contar que julgamento alheio não leva nada a lugar nenhum.

Essa semana o blog O Homem Feminino completou 2 anos de vida e eu me sinto muito feliz em saber que todo dia aparecem mais e mais pessoas que compartilham esse estilo de vida. Espero continuar atendendo as expectativas de quem vem me visitar e sonho com o dia que poderemos nos expressar sem nenhum tipo de preocupação =)

Segue uma fotinha do meu ultimo ensaio

quarta-feira, 14 de junho de 2017

T-Lovers, será amor ou ódio?

Lá está você, super insegura com o seu visual pensando se está suficientemente feminina e se questionando a respeito da sua passabilidade até que, do nada, começa a brotar alguns homens nas redes sociais falando que te acham linda e que morrem de vontade de sair com você... Isso até parece algo bom, né?!

Muitos desses rapazes que entram em contato comigo se intitulam T-Lovers e adotam esse rótulo pois admiram Travestis, Crossdressers e Transexuais. Vejo alguns que parecem gostar mais de meninas como eu do que de mulher cis e até fico feliz em ver que existe esse tipo de diversidade!!

No entanto, algumas várias coisas me incomodam nesses contatos. O principal é a falta de educação e respeito na maioria dos casos, um exemplo disso são aqueles indivíduos que simplesmente mandam uma foto do próprio pênis ao invés de qualquer mensagem (já imagino um inseguro que não tem nenhum atributo). Quando não é a foto, enviam uma mensagem chula e mal escrita dizendo basicamente que querem te comer e tem que ser escondido. Eu bloqueio esse tipo de gente na hora e neste momento devo estar contabilizando uma centena de bloqueios!!

Interessante é ver que se intitulam amantes de trans, mas eu queria saber quantos deles sairiam na rua ao lado da T-Gata preferida dele?
Quantos pegariam na mão delas para andar na rua?
Quantos assumiriam um relacionamento com uma T-Gata?
Quantos apresentariam a T-Gata para a própria mãe?

Assim como nós temos medo de sermos julgadas por sermos quem somos, muitos desses rapazes também sentem medo, só que de serem vistos com a gente. Sabe por que? Por que na ignorância generalizada eles acabam sendo vistos como gays e o machismo faz o sangue de muitos homens esquentar quando são "rebaixados" ao nível dos gays, não é verdade?

Claro que existem alguns poucos que fogem dessa realidade e sabem se posicionar perante a sociedade ao lado de uma Travesti, mas a proporção é muito pequena. Falando em proporção, esses dias eu me assustei quando uma amiga comentou comigo a respeito do Fórum do site Elite Acompanhantes (um site especializado em anúncios de travestis) que hoje conta com nada menos do que 149 mil inscritos!!!

Parte das pessoas inscritas nesse fórum são Travestis, mas são minoria absoluta (me inscrevi e tenho acesso à lista de usuários). À caráter de comparação, o fórum Crossdressing Place Brasil, o maior voltado apenas para crossdressers, hoje conta com 665 usuários inscritos. Sendo assim eu fico pensando na quantidade de T-Lovers que existe por esse Brasil, por que só nesse fórum tem bem mais que 100 mil!!!

Volto aos questionamentos, onde estão esses caras enquanto muitas Travestis são espancadas ou assassinadas?
Pagar por sexo centenas de milhares querem, mas proteger a "amada" nenhum se habilita?
Não se esqueçam que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo!!!

Sinceramente, vivemos numa incoerência e eu me sinto muito incomodada com essa realidade. Triste saber que muitas das travestis caem na prostituição por falta de oportunidade no mercado e acabam alimentando a necessidade desses T-Lovers no submundo. Até imagino que o interesse da maioria deles é manter as travestis no submundo, assim tem como se divertir na surdina por uns trocados e continuar a vida de pseudo macho alfa ao lado de uma mulher cis.

Resumindo, pra mim a maioria desses caras merece o rótulo de T-Hater.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O poder de estar em grupo

Nesse ultimo final de semana eu tive a oportunidade de retribuir um pouco as queridas amigas de SP que me receberam em setembro do ano passado no Meeting on High Heels! Passamos o final de semana juntas, curtindo e passeando por Curitiba-PR, e o ponto forte aconteceu na noite de sábado dentro do Café do Teatro onde conseguimos reunir quase 20 meninas numa única mesa!!

A diversão começou quando a Melaine chegou montadíssima com a sua Kombi na minha casa para irmos juntas ao Aeroporto Afonso Pena onde receberíamos a Izabelly, a Flávia e a Priscila de SP. Chegamos um pouco apreensivas e ficamos aguardando o desembarque das menina, entretanto bastou elas saírem pelas portas de vidro e nos cumprimentar que acabou qualquer tensão de estar montada em público. Esse é o poder de estar em GRUPO!!

Nosso passeio no sábado incluiu um almoço no Mercado Municipal de Curitiba, uma voltinha no Jardim Botânico, jantar e confraternização no Café do Teatro e baladinha na Verdant (essa eu não participei). No domingo a Vivian também entrou no grupo e fomos visitar o Museu Oscar Niemeyer, posamos para a foto na Universidade Livre do Meio Ambiente, desfilamos e almoçamos no Park Shopping Barigui e, antes do embarque delas, ainda deu tempo de subir na Torre Panorâmica para apreciar a vista da cidade e tirar mais algumas fotinhas!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Admiração pelas travestis

Fonte Muriel Total
Não sei vocês, mas eu sempre senti uma admiração pelas travestis e falo, inclusive, das meninas que optaram pela prostituição! Estive lendo essas tirinhas da Muriel e me lembrei das poucas vezes que tive algum contato com elas... sempre fiquei meio bobo e, de certa forma, morrendo de inveja xD

Durante a infância e adolescência foram pouquíssimas as vezes que tive a oportunidade de, ao menos, ver uma travesti. Meu contato nesse período se resumiu ao pouco que eu via na televisão, sendo normalmente apresentações de transformistas ou desenhos brincando com a imagem feminina (um salve para o Coelho Feminino).

Quando adulto eu passei numa universidade em Curitiba e vim morar próximo dela, bem no centro da cidade, e, deste momento em diante, acabei trombando com as meninas nos becos escuros do centro com uma certa frequência. Normalmente eu acabava meio hipnotizado e, como sou uma pessoa muito tímida, acabava só olhando/encarando/admirando sem nunca conseguir parar para ao menos dar um oi.

Se bem que, ia falar o que?
 "Oi moça, você é linda e eu queria ser como você"...?
Haha, até que não parece tão mal mas sei lá né...

Um bom tempo se passou e hoje as coisas estão um pouco diferente. Não só as vejo com mais frequência na rua durante o dia como também sou uma das loucas que sai montada por aí. Sei que ainda existe um risco em se expor, mas penso que somente essa exposição irá facilitar a nossa camuflagem no meio da sociedade. Falo em camuflagem por que não sou feminina para chamar a atenção de ninguém, sou feminina por que me sinto bem assim e só acabo chamando atenção por que ainda sou considerada diferente (seja lá o que for o normal).

Outro detalhe das tirinhas que eu adorei foi ver a Muriel vendo e tratando as travestis como igual (ehauehaueha, adorei a inocência do termo crossdressers selvagens), somos irmãs e deveríamos nos unir!! Não entendo por que umas ficam tentando se segregar das outras, é super comum ver comentários e posts tentando separar Travesti de Transexual de Crossdresser de Transgênero ou de qualquer coisa como se fôssemos completamente diferentes, sei que no fundo somos todas iguais!!

Claro que algumas desafiaram a sociedade e deram a cara a tapa cedo enquanto outras passaram a vida com medo atrás da máscara de homem. Algumas precisam modificar o próprio corpo para se sentir bem, já outras nem tanto. Algumas até nasceram com um corpo cheio de características do sexo oposto enquanto outras nasceram com uma bomba de hormônios do seu sexo biológico. Não podemos julgar o próximo por meros detalhes, ainda mais de aparência pois a vida é cheia de peculiaridades!

Sendo assim, gostaria de agradecer a todas as meninas que, de alguma forma, conseguem viver e se expor da maneira que vocês se sentem bem!! A coragem de vocês serve de inspiração para muitas de nós ♥ ♥ ♥

quarta-feira, 29 de março de 2017

Identidade de gênero e Orientação sexual - O que é você?

Essa pergunta normalmente me dá arrepios. Em primeiro lugar, sou um ser humano. Segundo, existem tantas coisas que me definem que nem sei por onde começar.

Sei que a Samantha por si só instiga curiosidade pois foge do normal, porém fico incomodada quando surgem suposições errôneas sobre mim, principalmente se tratando das relacionadas com a minha identidade de gênero ou orientação sexual. Muitas vezes, essas suposições partem de pessoas do meio LGBT, que, por sinal, é uma sigla que também gera confusão.

(L)ésbicas, (G)ays, (B)issexuais são denominações relacionadas a orientação sexual enquanto (T)ravestis, Transexuais, Transgêneros estão relacionadas a identidade de gênero. Em outros locais já incorporaram os (Q)ueers que é um termo para designar pessoas que não seguem o padrão da heterossexualidade ou do binarismo de gênero. Deste modo o acrônimo LGBT ou LGBTQ se destina a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de gênero.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Dia da Mulher


Sei que o calendário indica que o Dia Internacional da Mulher foi ontem, mas fiz questão de postar algo hoje por que hoje também é dia mulher! Assim como amanhã, depois de amanhã, semana que vêm, mês que vêm, enfim, todo dia é dia de respeitar e admirar as mulheres.

Não quero desconsiderar o dia de ontem pois ele surgiu em decorrência de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres (principalmente nos EUA e Europa) por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos. Entretanto, a proposta de criar o Dia Internacional da Mulher foi com o objetivo de aproveitar a data para discutir o papel da mulher na sociedade atual através de conferências, debates e reuniões. Na prática, porém, eu vejo que é tratado apenas como um dia para lembrar a existência das mulheres com homenagens singelas e bonitinhas que ignoram todo o contexto!

Afinal, o que está sendo comemorado?
Já vivemos numa sociedade com direitos igualitários?

Esse dia merecerá ser comemorado mesmo quando estiver zerada a violência covarde contra a mulher, quando estupro for coisa do passado (coisa só de animal irracional, não é?), quando houver liberdade de expressão sem julgamento (tamanho da saia está incluso nisso), enfim, somente quando homens e mulheres tiverem direitos e oportunidades iguais, ou seja, quando o objetivo do feminismo for cumprido.

Do jeito que eu coloquei já soa como algo utópico, se eu incluir que gostaria que isso valesse inclusive para mulher trans, travesti, transexual, crossdresser ou qualquer expressão feminina vou parecer uma extraterrestre trazendo uma mensagem de outro mundo.

Sendo assim, desejo a todas a liberdade de ser quem vocês realmente são e espero estar viva quando for possível comemorar plenamente o dia Internacional da Mulher! Deixo uma tirinha da Nancy para reflexão ♥

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Machismo e decepções

"Você aí, homem, alguma vez já teve cerceada a sua liberdade de agir? aparentemente, não, não é? Mas teve sim. O machismo é delimitador não apenas para mulheres. Por mais que você seja branco, heterossexual e rico (o grupo mais privilegiado da nossa sociedade), o machismo atinge você também. Porque embora ele coloque a mulher em posição de submissão e o homem, de dominação (e que fique claro: não há comparação possível em relação às desvantagens do machismo para as mulheres) ele também interfere no comportamento masculino. Ou você nunca ouviu a expressão "homem que é homem ____________" (complete com qualquer idiotice aqui)? Homem que é homem não chora, homem que é homem faz tarefas domésticas, homem que é homem não leva desaforo para casa, homem que é homem não sente, homem que é homem provavelmente também não pensa e jamais questiona.

A lavagem cerebral que forma os machinhos de plantão começa ainda na infância: mesmo antes de nascer, o quarto da criança pode ser de qualquer cor, menos rosa. Porque homem não veste rosa. Nem a parede do quarto de um menino veste rosa. Digamos que esse menino agora tenha uns dois anos. Ele brinca, cai, se machuca e chora. A primeira reação do pai (e muitas vezes da mãe também) é incutir na cabeça da criança:  "homem não chora". E quando essa criança estiver socializando com outras, certamente virá o "homem não brinca de boneca" ou ainda "homem não brinca com menina". E qualquer comportamento no sentido oposto é caracterizado como "coisa de mulherzinha". A nossa sociedade é tão misógina que "ser homem" é uma grande qualidade e "ser mulherzinha" é um defeito." Ativismo de Sofá

Me deparei lendo e relendo esse texto diversas vezes e faz tempo que venho pensando em como escrever algo sobre esse assunto para vocês. Estou bem chateada com algumas coisas e o ultimo post me fez lembrar de uma decepção da minha vida causada principalmente pelo machismo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Passabilidade

Quem é a mais passável??
A seguinte descrição do termo "passabilidade" eu encontrei no Glossário de gêneros do site do programa Liberdade de Gênero da gnt: "termo que traduz o quanto uma pessoa transgênera se parece fisicamente, se veste, fala, gesticula e se comporta de acordo com os estereótipos do gênero oposto ao que lhe foi consignado ao nascer."

Legal, parece coerente. Mas fiquei com dúvidas.
De quais estereótipos que estamos falando?
E quem pode ou deve quantificar o quanto a pessoa se parece com o gênero oposto?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Eu e a hormonização, sem acordo

Com uma certa frequência pessoas vem me falar que eu deveria iniciar um tratamento hormonal. Já ouvi isso de crossdresser, de mulher trans, de mulher cis, de homem cis, enfim, de todo tipo de gente. E é tanta pressão que parece que é algum tipo de passo obrigatório na feminização. Será isso mesmo?

Pra não falar que eu nunca tomei hormônio, quando eu tinha uns vinte e poucos anos e senti que meus cabelos estavam caindo em ritmo acelerado eu decidi ir num dermatologista para começar um tratamento com o famoso Finasterida, um medicamento antiandrógeno inibidor da enzima 5-alfarredutase. Saí da consulta, comprei remédio para uns três meses, usei durante um mês e parei. Fora isso, nunca tomei.

Sei que o que vou escrever a seguir pode não agradar a todos, mas quero apresentar os motivos pelo qual eu decidi evitar esse tipo de tratamento.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Homem de unha pintada

Quando eu era pequeno, lembro que qualquer coisa que um homem fizesse com a sua imagem podia ser usado contra ele como zuação. Um penteado diferente? Iihhh, baitola... Brinquinho na orelha? Putz, virou um viadão... Algum tipo de acessório diferente? Uma bichona... Raspou os pelos? Que gayzisse... Não consigo imaginar um homem com uma unha dessas naquela época:


No entanto, desde que eu ouvi o termo "metrossexualismo" no fim dos anos 90 eu notei que muitos tabus começaram a ser quebrados na nossa cultura machista. Não que tenha acabado, longe disso, mas vários desses detalhes passaram a ser despercebidos ou ignorados. Hoje se vê homens com o cabelo pintado, orelha furada, peito depilado e até unha feita, mas por que não com unha pintada?

Quer dizer, se você me encontrar na rua, mesmo de Homem, é bem provável que eu estarei com as minhas unhas pintadas! A imagem a seguir eu tirei recentemente no trabalho e o branco é bastante chamativo, né?

Uma foto publicada por Samantha Oliver (@samyoliverbr) em

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Crossdresser, será que sou isso mesmo?


Não sei se já repararam, mas é muito difícil aparecer o termo "crossdresser" aqui no blog O Homem Feminino. Fiz esse post falando sobre o termo e, a grosso modo, tudo se resume ao ato de usar itens de vestuário e/ou outros acessórios comumente associados ao sexo oposto dentro de uma determinada sociedade.

Ok, eu uso vestuários e/ou acessórios que são associados ao sexo feminino aqui no Brasil e isso já me coloca dentro do grande guarda-chuvas que é o crossdressing, mas esse termo não representa bem o que eu sou pois a Samantha não é apenas o Victor usando roupas femininas, a Samantha se comporta de maneira diferente e até sente de maneira diferente, então por que resumir tudo à roupas?

Outra coisa, qual é o problema do termo "travesti"? O primeiro significado de travesti que aparece no Dicionário Aurélio é "disfarce sob o traje de outro sexo", isso não é a mesma coisa que crossdresser? Eu vejo que aqui no Brasil as pessoas associam automaticamente travesti com prostituição e parece que crossdresser entrou para se diferenciar, mas no fundo somos todas iguais! Eu mesma as vezes falo que sou travesti por que fica mais fácil dos outros entenderem.

No entanto, desde que comecei a pesquisar sobre identidade de gênero e gêneros não binários eu venho me questionando a respeito de ser um crossdresser e, aos poucos, vou lembrando que a Samantha está dentro de mim desde que eu era apenas uma criança. Ultimamente venho pensando até que eu poderia ter sido uma moça trans se eu não tivesse nascido e crescido numa sociedade machista impositora. Alias, o documentário The Mask You Live In fala exatamente sobre isso.

Ao mesmo tempo também afirmo que eu gosto de ser Victor. Eu tive que aprender a "ser homem" por que cresci nessa sociedade machista, mas não vou negar a testosterona que corre nas minhas veias e afirmo que aprendi a gostar de ser homem. Querendo ou não, viver como homem numa sociedade machista tem as suas vantagens e se eu me assumisse trans durante a minha adolescência tenho certeza que não teria a maioria das oportunidades que eu tive no decorrer da minha vida.

Então o que eu sou? Haha, gosto do nome Homem Feminino ♥
Na real, eu não gosto desse monte de definições existentes por que a maioria das pessoas não conhece ou nem ouviu falar então se eu usar eu tenho que explicar, mas olhando para aquele monte de definições me identifiquei muito com o gênero fluido, pois se trata de uma pessoa com facilidade de fluir entre o masculino e feminino, ele e ela, Victor e Samantha.

Quanto a vocês, meninas, como vocês se veem ou como se descrevem?
Já pensaram em trocar o termo crossdresser por travesti?
Ou o lado feminino de vocês é forte a ponto de você se sentir um gênero fluido ou uma transgênero?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Documentário - The Mask You Live In

Assisti esse documentário no Netflix e super recomendo!

Por que homem não pode chorar?
Por que homem não pode pintar as unhas?
Por que homem não pode ser sensível?
Por que homem não pode usar salto alto ou vestido?
Por que homem não pode nem expressar os seus sentimentos?

O conceito de masculinidade que está presente na nossa sociedade ainda está preso no passado e precisamos repensar em como retransmitir esse conceito de agora em diante. Sei que muitas meninas que acompanham o blog tem filhos ou pretendem ter filhos então peço que façam o esforço de assistir a esse documentário até para refletir a respeito de como será a educação dos seus filhos. Imagino que vocês não queiram que eles sofram com os mesmos medos que vocês, não é?

Lembro de uma situação que passei quando era pequeno que me chateou demais. Quando entrei na puberdade, uns 12/13 anos, os meus pelos começaram a crescer e engrossar e eu fiquei muito triste com o meu corpo, então pedi para a minha mãe me depilar com cera. Quando meu pai e meu irmão mais velho descobriram sobre isso eles fizeram questão de ir me zoar e até quiseram tirar foto da cena para poder mostrar para o resto da família. Minha mãe, para ajudar, pediu para eles pararem com a zoação e argumentou que eu era uma pessoa sensível. A intenção dela foi das melhores, mas ouço rirem até hoje a respeito desse "sensível" que ela falou.

Parece apenas uma situação familiar boba, mas me marcou e me deixou muito triste. Eu poderia listar outras diversas situações que passei dentro ou fora de casa por ter esse lado feminino aflorado e, se eu não fosse uma pessoa muito determinada, isso poderia ter me levado a uma depressão profunda ou me revoltado completamente.

Talvez hoje eu seja uma pessoa de gênero fluido por que eu me obriguei a vestir a mascara de homem para seguir a minha vida. Talvez eu tivesse tudo para ser uma moça trans, mas fui tão rebaixada durante a vida que simplesmente abaixei a cabeça e segui do jeito da sociedade. Talvez até seja por isso que o meu lado masculino as vezes exagera na raiva (exemplo: quebrei uns 3 celulares no ultimo ano os tacando na parede).

O assunto é muito sério e tenho certeza que muitas pessoas que acompanham o blog também passaram por situações como a que eu descrevi. Assistam o documentário e sintam-se a vontade para falar das situações de vocês nos comentários, nos ajudará a refletir.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Igualdade, Liberdade e Fraternidade

O título desse post refere-se ao lema da Revolução Francesa iniciada no final do século XVIII cujo objetivo era acabar com privilégios feudais, aristocráticos e religiosos, ou seja, promover direitos igualitários. Não preciso me aprofundar muito no tema para dizer que essa revolução, em conjunto com a independência americana, conseguiu transformar a sociedade moderna e difundiu esse pensamento por todo o mundo.

Mais de 200 anos se passaram e ainda existem diversos movimentos, sejam eles grandes como o Movimento Feminista ou pequenos grupos LGBT locais que buscam Igualdade nos direitos, Liberdade para se expressar ou mesmo se apresentar da maneira que gosta (como eu) e esperam um sentimento de Fraternidade de quem não faz parte da causa.

Já repararam que, a grosso modo, a maioria dos movimentos buscam Igualdade, Liberdade e Fraternidade?

A bandeira francesa simboliza os marcos da Revolução Francesa

Mesmo assim me entristece muito quando ouço coisas como "homossexual não gosta de travesti por causa disso", "travesti não gosta de crossdresser por causa daquilo" ou qualquer coisa nesse sentido. Não entendo mesmo. Por que minorias se desgastam entre elas? Qualquer minoria entende o que é sentir preconceito, então por que usar essa mesma arma com outros?

Vejo que muitas pessoas buscam aceitação por parte da sociedade, mas será que aceitação é o termo certo? Aceitação é o ato ou efeito de concordar ou anuir e eu não acho que as pessoas precisam concordar com o meu estilo de vida. Eu não acho que elas precisam me julgar e me aceitar do jeito que eu sou. Eu acho que elas só precisam me ver como apenas uma pessoa vivendo a sua própria vida.

Então eu, pessoalmente, prefiro buscar Liberdade. Claro que eu sempre tenho que lembrar que minha Liberdade acaba onde começa a Liberdade do próximo, ou seja, posso fazer o que quiser contanto que isso não afete terceiros.

Um exemplo prático, um dia desses um colega de trabalho estava indignado por que ele viu um rapaz usando salto alto na frente do Teatro Guaíra aqui em Curitiba. Sério. Para ele, esse tipo de coisa era uma falta de respeito. Sério mesmo. Quando ele falou isso para mim, esperando um sentimento recíproco, eu só perguntei "Tá, e daí?". Não existe muito argumento, o rapaz estava para entrar no teatro e estava usando um sapato de salto, e daí? Se ele usasse o salto como algum tipo de arma para sair batendo nas pessoas seria uma situação diferente, mas o sapato estava no pé dele e ninguém é obrigado a ficar olhando para ele.

Sobre a Igualdade eu volto a falar do tal Movimento Feminista que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres. Não me limitaria a direitos, talvez diria que o que precisa é respeito, não importando se é homem, mulher, trans, cis, cross, homo, hétero, enfim igualdade entre as pessoas resume bem essa ideia.

Exemplo, já se perguntaram por que mulher sem camisa é algo do outro mundo enquanto homem sem camisa é tranquilo? Ou por que um homem galinha é um cara fodão enquanto uma mulher galinha é uma sem vergonha? Ou até mesmo coisas como homem que é homem não chora? Todos são pré-conceitos que se encontram fortemente incrustados na nossa sociedade e que, para mim, são super ultrapassados.

E, por fim, "a ideia de Fraternidade estabelece que o homem, como animal político, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos (fraternos). Este conceito é a peça-chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. De uma certa forma, a fraternidade não é independente da liberdade e da igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas." Wikipédia

Essas ideias são centenárias mas sei que ainda precisamos difundi-las. Peço que reflitam e me ajudem, vamos questionar a sociedade para evoluirmos juntos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Lésbicas e o crossdressing

O crossdressing que tenho como foco no blog é o de homem para mulher. No entanto, o inverso também é válido e muitas moças lésbicas são crossdressers e nem devem saber da existência dessa nomenclatura!

Quer dizer, elas podem ir numa seção de roupas femininas numa grande loja de departamentos e sair vestidas como muitos homens se vestem no dia a dia. Por exemplo, quando estou de Victor eu sempre estou com uma calça jeans reta, camiseta básica e tênis, coisas que podem ser facilmente encontradas na seções femininas mas com corte para o corpo feminino. Então elas não são exatamente crossdressers, certo?

Haha, eu realmente fico em dúvida nesse caso. Se praticamente todas as roupas masculinas tem versão feminina então as mulheres acabam usando apenas roupas femininas. Se tivessem roupas femininas no departamento masculino então crossdressing seria um termo desnecessário! Alias, eu espero muito que ele caia em desuso pois roupas são apenas roupas e não deveriam ser referência para distinção de gênero.

Enfim, na verdade nesse post eu gostaria de apresentar alguns "tipos de lésbicas" que encontrei no blog Sapatômica (vou focar nos estilos que tenham pelo menos um toque masculino). Ela frisa no post que não se trata de rotulação e eu complementaria dizendo que se trata apenas de rotulação de estilo pois a mulher não precisa nem ser lésbica para adotar um estilo de roupa confortável, mesmo que seja o estilo caminhoneiro.

Tipo 1: A Dyke

O exemplo mais famoso desse estilo é a Shane McCutcheon (The L Word).
Pelo que entendi é o estilo menos masculinizado. Muitas vezes você nem percebe o toque masculino nela pois ela pode estar com bota de lenhador ou um all star, com calça larga ou skinny, com moletom ou regatinha grudada, sem maquiagem ou com maquiagem, cabelo curto ou não.


Tipo 2: A Soft-Butch

O exemplo mais famoso desse estilo é a Ellen DeGeneres (The Ellen DeGeneres Show).
No estilo delas entra a camisa polo ou de botão, um blazer ou suéter de lã, talvez uma gravatinha borboleta, um suspensório, resumindo usam roupas da arara mais fashionista do setor masculino das lojas. Geralmente tem cabelo curto, muito bem penteado e com mousse.


Tipo 3: A Butch/Bofinho

O exemplo mais famoso desse estilo é a Poussey Washington (Orange Is The New Black).
Ela é a versão ‘setor masculino da loja’, porém na arara mais comum. Jeans, camiseta, tênis, bem tranquila e relax na vida, ela não usa maquiagem (não vai saber nomear nem três itens de uma nécessaire). Geralmente tem cabelo curto, usa boné, touca, etc.
Obs: como homem eu uso exatamente esse estilo!


Tipo 4: A Caminhão

O exemplo mais famoso desse estilo é a Big Boo (Orange Is The New Black).
Esse é o estilo mais masculinizado pois ela nunca usa um único item do setor feminino das lojas. O cabelo é sempre curto e nada de glitter ou coisas espalhafatosas. Na praia/piscina, usa sunga. E, por fim, não existe a menor possibilidade de ela comparecer a um evento social tipo casamento/formatura usando algo que não seja terno.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

1 ano de O Homem Feminino

A exatamente um ano atrás eu comecei a postar meu blá blá blá a respeito desse mundo feminino que venho explorando! Nesse meio tempo pude conhecer diversas meninas espalhadas por todo o mundo, aprendi muito com as dicas que preparo para vocês e descobri que só o fato de compartilhar algumas informações e experiências eu pude ajudar muitas pessoas!

Tentei fazer um breve resumo do que aconteceu no blog nesse período:

Número de acessos no blog 133.857
Postagens no blog 160
Vídeos no Canal do Youtube 5
Seguidores no Facebook1.410
Seguidores no Instagram 2.543

Minha formação me obriga a colocar algumas tabelas e gráficos ♥


Foram 11 postagens com fotos de lindas meninas no CrossTop


Descobri que perdi o resultado de 11 enquetes por que fechou o site www.criarenquete.com.br, futuramente irei refazer algumas =/

Pretendo continuar mantendo o site ativo e peço que vocês respondam a enquete a seguir para me ajudar a planejar as próximas postagens e, se tiverem algum tema específico para propor, por favor use os comentários!