segunda-feira, 20 de junho de 2016

Estalos na lareira - BDSM

Esses conto se inicia com uma conversa internet. Uma mensagem na caixa de mensagens filtradas chamou a atenção de Bia. Não era uma daquelas mensagens de sempre, sabe? Daquelas com um elogio em uma palavra, ou um texto passivo-agressivo, ou só agressivo mesmo, ou uma amiga com segundas intenções, ou um estrangeiro de língua desconhecida, enfim, esse pequeno texto conseguiu atrair sua atenção.

Atrair a atenção dessa menina não é tarefa fácil pois ao longo dos seus 25 anos de vida ela colecionou diversas experiências. A começar que perdeu a virgindade na pré-adolescência com a prima um pouco mais velha. Duas semanas depois o primo, que soube da história e também ficou com vontades, conseguiu convencer ele a experimentar uma sensação diferente da proporcionada pela prima.

Não sei se notou mas eu chamei Bia de "ele" de propósito pois na época ele ainda não tinha adotado esse outro nome. Na verdade, naquela época nem imaginava as portas que seriam abertas após ter aceitado a proposta do primo pois pode perceber o quanto lhe agrada estar em contato direto com um outro corpo. Não importa o formato desse corpo, se tem energia positiva, vibrante e em sintonia com a sua ele podia se entregar às experiências do momento.

De volta ao conto, agora Bia é como a maioria das pessoas a tem chamado. Quando tem evento grande de família ela sempre volta a ser boy pra sorte da prima e, principalmente, a pedido da mãe que foi sábia ao compreender com normalidade a filha e esperta para sugerir que fosse evitada a forma de menina na frente do avô cafona. Quando a parentada some de vista quem aparece costuma ser o lado feminino. Não se preocupe, ela não se importa com esse vai e volta de gênero. Ela as vezes volta a ficar um tempo como boy por vontade própria. Costuma ser menos trabalhoso, talvez até como um descanso, mas logo que recupera as energias ela volta para cima do salto até não aguentar mais.

A propósito, ela estava com um salto no pé no momento que leu aquela mensagem. Era uma sandália com salto anabela bem alto e umas tiras elásticas brancas com uma faixa vermelha no meio, super confortável para estar dentro de casa. Estava atirada no sofá com o celular na mão e só de ler aquelas três linhas de texto e ver umas imagens publicadas na timeline de quem mandou fez despertar um desejo ardente. Daqueles que mal cabem dentro da roupa íntima, entende?



A mensagem estava naquela caixa filtrada que ninguém lembra que existe e ficou parada por muitos dias antes de ser percebida. No entanto, no momento que Bia clicou para enviar a sua resposta o receptor abriu, leu e prontamente respondeu. Foram mensagens e mensagens de informações e provocações trocadas em seguida. A menina sabe como escolher os parceiros e também sabe manter uma conversa apimentada e agradável.

Quando resolveram se encontrar ela recebeu uma lista de instruções. Extremamente específicas para falar a verdade. Estava indicado qual roupa ela devia usar com base nas fotos postadas na rede, o endereço, o horário exato, algumas regras e o que ela devia fazer ao chegar no local. Sim, ela fazia ideia do que estava se metendo.

No dia ela saiu de casa preparada, estava montada conforme solicitava a mensagem. Um bodystocking feito de tecido igual ao de meia fina fio 15 cobria o seu corpo e nele havia um desenho sombreado no formato de um espartilho com cinta e meia. Nos pés um pump de couro preto com 15cm de salto, uma meia pata e aquele solado vermelho básico. Todas as unhas tinham que estar pintadas de vermelho. Escondendo sua obra de arte havia um sobretudo marrom com botões pretos.

No rosto ele pediu uma surpresa. Ela aproveitou para atualizar o corte e optou por um pixie tingido de preto. Com o cabelo curto ela abusou na maquiagem usando brilho prateado no côncavo dos olhos e um vermelho sangue na boca. Como toque próprio adicionou um colar curto com uma pedra que também lhe servia de amuleto.

Chegou ao local na hora exata e deu de cara com uma casa antiga, elevada em relação a rua, afastada do alinhamento predial e com detalhes de pedra na fachada. O portão se encontrava aberto. Se aproximou da casa, girou a maçaneta da grande porta de entrada às 22:40 e entrou. Dobrou a direita, seguiu um corredor, subiu as escadas, entrou na segunda porta a direita e encostou a porta. Sob a cama havia uma mordaça com uma bola plástica e uma almofada. Ela vestiu a mordaça, pressionando bem. Posicionou o travesseiro no centro da cama. Deitou-se com a barriga para baixo, apoiou o quadril no travesseiro, abriu as pernas e apoiou as mãos na cabeça com os braços abertos apoiados no cotovelo.

Ela estava pronta. Apesar de alguns estalos do fogo na lareira, o silêncio dominava o ambiente. Seu coração batia forte, dava para sentir a vibração dele na cama. A respiração foi ficando mais forte pois ela não sabia ao certo se estava preparada para tudo que viu nas imagens e nos vídeos. Seus pensamentos iam embaralhando o pânico com o êxtase e o resultado foi uma ereção incontrolável.

O silêncio foi quebrado com um barulho que vinha atrás de uma porta. Ouviu então o som de metal batendo e alguns estalos. Outro silencio. Começa um som inconfundível para os amantes de sapatos, o toc toc na madeira de um salto. A porta se abre. A posição que ela devia deitar estava especificada e, por acaso, impedia de checar quem saiu de dentro da porta.

O som dos passos foram abafados pelo tapete do quarto mas continuaram perceptíveis até chegar ao lado da cama. Ela então sentiu algo pesado sendo largado entre os seus pés. Antes de pensar em reagir sentiu mãos encostando nas suas. Eram mãos firmes, delicadas e estavam envoltas por um material emborrachado. Sentiu os pulsos sendo apertados em uma algema com textura que lembra couro de boi, pelo menos foi o que ela conseguiu deduzir. Nos pés foi diferente, o gelado do metal é óbvio demais. Argolas foram presas na canela e havia uma barra mantendo as pernas afastadas. Esse foi o primeiro contato físico dessa experiência.


A pessoa prendeu a Bia, se afastou da cama, andou para lá e para cá no quarto enquanto diversos sons ecoavam e em seguida só deu para ouvir a porta se fechando. No curto espaço de tempo entre entrar no quarto e estar deitada e pronta ela conseguiu reparar em algumas coisas nesse quarto. Em uma parede havia uma grande lareira acesa aquecendo o ambiente. Logo ao lado dela, apoiado no canto do quarto se encontrava uma espécie de prancha preta em formato de X com diversas presilhas. Continuando o giro pelo quarto pode-se notar uma bancada de pedra e acima, na parede, um espelho rodeado de espaços vazios para pendurar ferramentas.


A cama é a peça mais bonita do ambiente. Tamanho extra grande, saia preta brilhosa cheia de babados, cabeceira de estilo vitoriano com estofado vermelho e ornamentos entalhados na madeira. Estirada sobre ela há uma colcha de cetim vermelho. Atrás, duas arandelas em estilo de candelabro iluminam o ambiente em meia luz junto com o fogo da lareira. Na ultima parede estavam as duas portas e uma poltrona larga e confortável seguindo o mesmo estilo da cama. No chão, grande parte do piso de madeira estava escondido embaixo de um tapete cinza.

Com a cabeça virada para a cabeceira o seu campo de visão ficou limitado. Pelo menos não ficou com os olhos vendados, como havia solicitado. Mesmo estando sozinha no ambiente ela se sente mais calma, parte disso se deve por ter notado aquela energia positiva, vibrante e em sintonia no momento que as mãos emborrachadas encostaram na sua. O tempo continua passando e a adrenalina faz cada minuto durar uma eternidade.

Outros passos são ouvidos, só que desta vez veio da mesma porta que ela entrou e a pessoa definitivamente não está usando um sapato de salto. São passos calmos. A porta se abre devagar, a pessoa entra em silêncio, e torna a fechar a porta. Agora ouve-se fechaduras sendo trancadas. Uma a uma, cada uma com um som distinto. A outra porta é aberta e pôde-se ouvir mais claramente aqueles sapatos de salto andando no chão de madeira até serem abafados pelo tapete do quarto.

Com duas pessoas se movimentando tornou quase impossível distinguir e compreender o que estava acontecendo em volta dela. Isso foi um incômodo para Bia. Ela está sozinha em posição de submissão esperando por uma ação a muito tempo. Nas regras estava claro que não podia bisbilhotar, mas uma olhadinha de leve não deve fazer mal a ninguém, né?

Bastou um pequeno e inocente giro do pescoço para que soasse um estalo de chicote acompanhado por um grunhido de negação. Bia se segurou, mas liberou um gemido abafado pela mordaça. A tentativa de bisbilhotar falhou e ela quebrou uma regra por conta disso. Sua coxa esquerda estava latejando de dor e começou a esquentar. Com certeza ficou vermelho e nada se pode fazer pois também estava especificado nas regras.

Essa era exatamente essa a energia dominadora que Bia tanto sonhava e, ao mesmo tempo, temia. Como comentei, ela teve diversas experiências e em uma ou outra o prazer estava fundido com a dor. Nesse caso não. Até o momento as únicas sensações presentes foram o medo, o tesão e, a partir de agora, a dor.

Pouco a pouco os barulhos foram cessando. O salto caminhando não era percebido à tempos. Assim que conseguiu se concentrar novamente a menina pode sentir que havia uma pessoa de pé ao lado da cama. Dessa vez ela não fez nenhum movimento, entretanto uma forçada de canto de olho deu de encontro com umas tiras pretas movimentando devagarzinho para lá e para cá. Ela apertou os olhos, segurou a respiração e se preparou.

Ao invés de ouvir um estalo, ela sentiu o leve toque das tiras deslizando sobre as suas costas e, com isso, sobe um arrepio desde o inicio da espinha até a nuca e como uma onda o seu corpo foi acompanhando. No fim ela solta a respiração e finalmente ouve o estalo. Sua nádega direita esquentou instantaneamente. Diferente da chicotada anterior, a ardência se cessou ligeiramente e a dor não foi forte suficiente para sair um gemido. Agora ela quer mais.

Em seguida vem mais um estalo. Logo outro e mais outro. Todos exatamente no mesmo lugar. Ela bem que tentou se segurar, porém o local já estava sensível e quando deixou o ar sair do pulmão suas cordas vocais vibraram produzindo o som preferido do dominador. Ele volta a arrastar as tiras sobre o corpo da Bia. De um lado a outro as tiras pareciam caminhar e o corpo deitado parecia responder sozinho aos toques.

A brincadeira fez esquentar o sangue da Bia. Quanto mais ele a acertava, mais sensível ia ficando a sua pele e mais forte era a sensação de dor. Impressionante era o controle de quem estava dominando a cena. A precisão dos toques parecia ser milimétrica e nenhum ponto errado foi encostado. A força também, cada toque tinha o mesmo peso. A situação estava sob controle.

O ultimo toque desse chicote foi na coxa esquerda. Sim, no mesmo lugar onde havia recebido sua punição. Como estava com a boca aberta no momento do estalo, o gemido que soltou dessa vez foi bem sonoro e fluido. Ela podia não estar vendo, mas tinha certeza que esse som fez o seu dominador sorrir. Mesmo porque ele se afastou por um instante.

Na volta o primeiro contato foi inesperadamente dolorido. Um cinto lhe acerta logo acima da parte de trás do joelho e alcança ambas as pernas, mesmo com o separador metálico. A barra entre as pernas subiu involuntária e de maneira tão forte que o som do chacoalhar das juntas metálicas se fundiu ao urro. Já previa ter que conviver com uma marca nesse local por uns dias.

Talvez o urro não tenha agradado tanto o seu dominador por que logo em seguida soou um barulho desconhecido, ele então arremessa o cinto largo de couro ao lado do seu corpo e se afasta novamente. Na sua cabeça o urro soou grosso demais, quase masculino. Será que ele perdeu a calma? Os barulhos estavam mais descontrolados. Por que a dificuldade em escolher o próximo item?

Passos fortes soam mesmo sobre o tapete. Primeiro bate na cama. Uma palmada aqui, outra ali, puxa a colcha... ele está fazendo a cama? Alguns itens são posicionados sobre a cama, tudo isso acompanhado de uma respiração profunda e lenta. Energias dominadoras não podem perder o controle.

A terapia do momento foi alinhar as peças e curtir a vista das ferramentas ao lado do corpo esguio e curvo apoiado sobre o travesseiro e alongado por um salto alto. Bia cuidava do corpo e gostava muita das linhas naturais que herdou. Tinha certeza que seu corpo era desejado naquele momento de adoração. Pelo menos foi o que passou por sua cabeça ao notar a mudança de intensidade da respiração ao tempo que a pessoa se mantinha sentada na cama, ao seu lado.

Logo ele se levanta, escolhe uma ferramenta e começa a utilizá-la. Um toque seguido de outro em frequência constante. Seus gemidos também acompanham. Uns contidos. Outros fortes. Outros forçadamente engolidos. Ele troca o instrumento. As batidas não parecem semelhantes, será que está com um em cada mão? A sensibilidade da pele progride a cada minuto, parece impossível engolir ou conter os gemidos.

Outra vez o barulho desconhecido soa e ele para completamente. Recolhe todas as ferramentas e se afasta. Novos barulhos, talvez a outra pessoa esteja lhe ajudando, talvez eles estejam cochichando ou talvez seja apenas sua cabeça lhe pregando uma peça enquanto outra parte da cena está sendo preparada a sua volta.

Volta sem muita enrolação já subindo na cama e se aproxima do seu corpo. Apoia o joelho esquerdo ao lado da sua coxa esquerda gira o resto do corpo sobre o seu e apoia o joelho direito ao lado da sua coxa direita. Devagar ele ia descendo o peso do corpo e ela pôde sentir um membro se apoiado entre a suas nádegas. O tecido do bodystocking lhe agarra em cada curva e o prazer de usar a peça parece manter a sensibilidade como se estivesse nua.

O encaixe de altura parecia planejado. Logo os corpos começaram a balançar juntos. Inicialmente cada um em seu ritmo, até desajeitado. Uma firme segurada na cintura com ambas as mãos deu sincronia ao movimento. Por enquanto continuava só apoiado e roçando. Enquanto isso a sensibilidade aflorada era aliviada em cada pedaço de área de contato entre os corpos.

Em um dos movimentos mais bruscos o brinquedo entra na fenda da sua peça de roupa. Sim, tem que ter uma abertura estratégica. Depois de tanta provocação ela já estava naturalmente lubrificada então ele entrou facilmente e, pelo calor do momento, deslizou até o fim. Sapatos para o alto. Urro de susto. Ele retira completamente e escorrega suavemente entre sua pele e o fino tecido. Primeiro para cima do ânus, depois para baixo, massageando a pele sensível e enrugada do seu escroto.

Volta a penetrar. Agora só com a cabeça. Ela desistiu de tentar se movimentar naquela posição e decidiu se entregar. Abriu um espaço entre os lábios para liberar o ar a sair livremente junto com o seus sons de liberdade. Cada movimento lhe agrada. As mãos são apoiadas pouco abaixo dos seus cotovelos. O corpo se aproxima mais e a profundidade só intensifica o prazer.

Quando a barriga fria encostou na base das costas a reação de empinar o quadril voltou a deslizar o membro até o fim. Desta vez o urro foi de quem estava por cima. Bia enlouqueceu ao notar o que fez. Ela sabia que, apesar de tudo, o controle sempre foi dela. Tanto que no momento que ela desejasse ela poderia parar com tudo. Esse era o verdadeiro controle.

A sinfonia do gemido fez invocar algo forte de dentro. O quadril arranjou um jeito de balançar naquela posição e dar o ritmo ao conjunto. Era a vez dele forçar a engolir os urros. Aos poucos ele maximiza o contato entre os corpos apoiando a cabeça na sua e deslizando os antebraços embaixo dos seus braços dobrados.

Ambos perderam o controle da situação e entraram em estado de êxtase. Urros e gemidos são trocados. A intensidade e a amplitude do movimento só aumentam. Cada bombada empurrava o corpo todo para frente. O tempo passava sem ninguém se importar. Garanto que se alguém estivesse de olhos fechados só ouvindo o que se passava por ali se excitaria num instante.

Quando o tempo pareceu parar, ela sentiu a vibração crescendo lá de dentro. Aos poucos o prazer do orgasmo anal ia iniciando. Poucas foram as vezes que ela conseguiu atingir esse prazer sem encostar no seu próprio brinquedo. Um grito de timbre feminino ecoou sozinho pelo quarto. Logo um gemido masculino soa. Não muito tempo depois o som desconhecido toca uma ultima vez.

Ele puxa uma grande quantidade de ar e, enquanto segura a respiração, soam os estalos na lareira. Finalmente libera o ar de dentro dos pulmões e aos poucos se desencaixa, desce da cama e se afasta. Na mente da Bia não tem absolutamente nada acontecendo. Nem fez questão de notar a movimentação a sua volta. Apenas desligou. Cada músculo do seu corpo se encontra relaxado. A pele não latejada, nem parece que ainda está vermelha.

Talvez tenha relaxado tanto que provavelmente tenha tirado um cochilo. Ou isso ou não notou quando foi liberada das algemas e da barra entre as pernas. A liberdade de se movimentar foi expressada com um giro do corpo que terminou ao se sentar na base da cama. Ao abrir os olhos e voltar a consciência percebeu que havia uma bela moça sentada na poltrona com uma caixa de lenha aos pés.

Cabelos compridos e vermelhos. Uma mascara cobrindo parte do rosto. Vestido de tecido vinílico se agarra ao seu corpo enquanto o corset molda o corpo. Meias 7/8 transparentes dão brilho às pernas compridas e evidenciam o scarpin de salto altíssimo. Nas mãos uma cigarrilha acesa. Elegância é a palavra que melhor descreve a sua postura.

Contato verbal é proibido. O visual foi maior que a maioria dos clientes puderam ter no primeiro encontro. Óbvio que Bia não soube do fato de primeira mão. Na verdade até achou que fosse padrão poder admirar a dona da casa. Por fim, bastou a longa encarada para se conhecerem de verdade. Ao fim da cigarrilha a imagem poderosa se levanta, retorna para dentro da porta de onde veio e se tranca.

A ultima instrução dizia que ela poderia escolher entre ficar deitada no quarto ou ir embora. O conforto da grande cama acompanhado do aroma e do calor da lareira facilitaram sua decisão.
0 Comentário(s)
Comentário(s)

Nenhum comentário: